Mostrando postagens com marcador Dilma Roussef. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dilma Roussef. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Governo do PT é o que mais censura (5)

Publicado no blog do Reinaldo Azevedo em 19/06/2010 com o título GOVERNO LULA CENSURA PORTAL NA INTERNET QUE TRAZIAM DADOS DO PAÍS REAL, NÃO DAQUELE VENDIDO PELA PROPAGANDA". – Walter Dos Santos
O decálogo de problemas que segue abaixo poderia se um roteiro utilizado pelos candidatos de oposição José Serra (PSDB) ou Marina Silva (PV). Mas não é — ou NÃO ERA. Ribamar Oliveira, do jornal Valor Econômico, colheu essas avaliações num portal oficial, do próprio governo. Antes que prossiga, uma síntese:

1 - a política de reforma agrária do governo Lula não alterou a estrutura fundiária do país nem assegurou aos assentamentos assistência técnica, qualificação, infra-estrutura, crédito e educação;
2 - a qualidade dos assentamentos é baixa;
3 - os programas oficiais não elevam a renda dos agricultores, que ficam dependendo do Bolsa Família;
4 - imposições da legislação trabalhista no campo acabam provocando fluxo migratório para as cidades;
5 - a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não definiu uma política de curto ou médio prazo para a formação de um estoque estratégico e regulador de produtos agrícolas.
6 - em futuro próximo, a produção de biodiesel não será economicamente viável;
7 - a reconstrução de uma indústria nacional de defesa voltada para o mercado interno, prevista na Estratégia Nacional de Defesa, não se justifica;
8 - a educação brasileira avançou muito pouco e apresenta os mesmos índices de 2003 em várias áreas:
9 - é baixa a qualidade da educação em todos os níveis; os que concluem os cursos não têm o domínio dos conteúdos, e as comparações com indicadores internacionais mostram deficiências graves no Brasil;
10 - O analfabetismo funcional, entre jovens e adultos, está em 21% na PNAD de 2008, uma redução pequena com relação à PNAD de 2003, que era de 24,8%. O número absoluto de analfabetos reduziu-se, no mesmo período, de 14,8 para 14,2 milhões, o que aponta a manutenção do problema.

Essas informações todas estavam no “Portal do Planejamento”, criado pela Secretaria de Planejamento e Investimento Estratégico (SPI), tarefa que durou um ano e meio. E QUE SUMIU EM UM DIA. Bastaram uma ordem e um clique. É isto mesmo: o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) mandou tirar o site do ar. Eram cerca de 3 mil páginas abordando 52 temas.

Bernardo justificou assim a censura em entrevista à rádio CBN:
“Vários ministros me ligaram para dizer: ‘Olha, estão fazendo críticas às políticas desenvolvidas pelo meu ministério, mas nós não fomos chamados a discutir’. Ficamos numa posição um pouco delicada de explicar que aquilo não era posição fechada do Planejamento; são técnicos fazendo debate.”

Entendo… o ministro convocou uma reunião para segunda-feira com os responsáveis pelo Portal:
“Me parece que um site para discutir políticas de governo deve ter um nível de acesso para quem é gestor, outro para quem é jornalista e outro para o público em geral”.
Deixe-me adivinhar como seria essa gradação e o produto oferecido a cada um:
- ao gestor, a verdade;
- ao jornalista, uma quase verdade;
- ao público, o de sempre…

Vamos compreender
É evidente que nenhum governo gosta de ser criticado pelo… próprio governo. Não me atrevo a dizer que este ou aquele não agiriam assim. Aliás, acho curioso que um portal dessa importância vá ao ar sem o conhecimento do chefe da pasta. A questão aí não é matéria de gosto, não.

O que o portal revela é que existem dois Brasis: aquele real, conhecido pelos técnicos do governo, que veio a público por um breve instante, e o outro, o de propaganda, este de novas auroras permanentemente anunciadas pelo governo, ancorado numa verba bilionária de propaganda.

Como se nota, Paulo Bernardo acha que é preciso trabalhar com “níveis” de acesso, como se aqueles informações não fossem dados sobre políticas públicas, mas matéria de “segurança nacional”. Informações relevantes, pois, para orientar tais políticas passariam a ser privilégio de uma espécie de casta.

Nunca antes na história destepaiz!!!
Share/Bookmark

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dossiês e PT – tudo a ver (4)

Publicado originalmente na Folha Online em 17/06/2010, com o título "Ex-delegado diz que sofreu ameaça de morte após revelar dossiê sobre Serra". – Walter Dos Santos
por NOELI MENEZES, de Brasília

O delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa afirmou nesta quinta-feira que recebeu ameaça de morte após revelar que havia sido procurado por supostos emissários da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) para investigar o candidato tucano à Presidência, José Serra, e produzir dossiês sobre ele.

"Recebi um e-mail dizendo que eu ia me transformar em nome de parque. Na hora, não entendi. Depois me lembrei do prefeito Celso Daniel. Era uma ameaça de morte."

O ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) foi sequestrado e assassinado em 2002. Hoje, é nome de parque na cidade que administrou.

Onézimo disse, porém, que não ficou com medo da ameaça. "Tratei como uma chacota."

O delegado aposentado reafirmou, em depoimento à CCAI (Comissão de Controle das Atividades de Inteligência) do Congresso, que foi procurado para "levantar tudo sobre" o candidato tucano.

Questionado se a investigação envolvia monitoramento telefônico, respondeu: "Eu não sou onipresente. Para um bom entendedor, um pingo é letra. Como posso saber tudo sobre um pessoa?".

Segundo ele, o convite para a reunião lhe foi feito em nome do ex-prefeito Fernando Pimentel (PT-MG). Afirmou, no entanto, que foi recebido por três supostos emissários do petista: Amaury, Luiz Lanzetta --que era encarregado da área de imprensa da pré-campanha-- e Benedito de Oliveira Neto.

O advogado de Lanzetta, Antonio dos Santos Jr., afirmou que o depoimento do delegado foi "confuso e genérico". "O sr. Onézimo será acionado legalmente pelas inverdades que está dizendo."

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que o depoimento de Onézimo confirmou as informações já publicadas pela imprensa e acrescentou mais detalhes.

Fruet disse aguardar uma resposta do sargento da Aeronáutica Idalberto Martins, conhecido como Dadá, que também foi convidado para depor na CCAI. Dadá teria participado das reuniões para discutir a elaboração de dossiês.

De acordo com o deputado, a comissão vai pedir informações sobre o sargento à Aeronáutica.
Share/Bookmark

Dossiês e PT – tudo a ver (3)

Publicado originalmente no blog Coturno Noturno em 16/06/2010 com o título "República de bandidos." – Walter Dos Santos
Um "dossiê", na linguagem política, é um conjunto de"documentos" com acusações falsas contra os adversários ou com documentos oficiais obtidos de forma criminosa, que podem sugerir ilegalidades. Dilma Rousseff(PT), a responsável pelo Dossiê contra Serra, já que o mesmo saiu da coordenação da sua campanha, diz que ele não existe. Não existem "nenhum traço" dele. Sabem por quê? Porque os documentos apreendidos ou impedidos de serem veiculados não foram mostrados ao público. Não é uma graça? Ela gostaria que José Serra (PSDB) fizesse uma entrevista coletiva para mostrar as mentiras assacadas contra a sua filha? Que as declarações de Eduardo Jorge, vice do PSDB, fossem xerocadas e distribuídas para os presentes? Que o "banco de dados" e os pênis de borracha que ela coordenou contra FHC e Dona Ruth sejam motivo de CPI? No domingo, Lula disse que o Dossiê contra Serra, que estava sendo encomendado por coordenadores e financiadores da campanha da Dilma a arapongas, é uma iniciativa do PSDB. Dilma foi mais longe na mistificação. Parece que a candidata quer, se o Dossiê está pago, que ele seja divulgado. Ou não é um Dossiê. Estamos, realmente, vivendo em uma república de bandidos.
Share/Bookmark

Filosofia Cirúrgica: Auto-ajuda literalmente

Publicado no blog Filosofia Cirúrgica, por Márcio Leopoldo Maciel em 13/06/2010. – Walter Dos Santos
Uma grande editora brasileira acaba de anunciar a publicação de cinco grandes obras de políticos nacionalmente conhecidos. Os primeiros dois da lista são:

Mestrado e Doutorado em 1 click – Para ler e fazer no ônibus (Autor: Dilma Rousseff)

Uma obra essencial para incrementar sua formação. Nos moldes do grande sucesso do governo federal, o PAC, o livro apresenta soluções engenhosas para que você acelere seu crescimento profissional. De autoria da ministra do presidente Lula, Mestrado e Doutorado em 1 click apresenta o passo-a-passo de como dar um up em seu Lattes. A obra traz o depoimento pessoal da ministra.

Inimigos, meus melhores amigos (Autor: Lula)

Os bastidores do poder. Nesta vigorosa obra ditada o presidente da República conta como uma relação de inimizade se transformou em afeto e companherismo. Uma metáfora de futebol é o pontapé inicial para uma história de suspense. Sabia ou não sabia? Corrupção, lavagem de dinheiro, compra de votos, dinheiro não contabilizado… Por fim, a glória redentora do esporte prova que a amizade é o nosso maior patrimônio. Lula conta como, em um ou dois dribles, superou as divergências e pode celebrar a união com vultos da política nacional e internacional: ACM, Sarney, Collor, Malluf, Renan Calheiros, Ahmadinejad, Fidel e Raul Castro. Imperdível.
Share/Bookmark

terça-feira, 15 de junho de 2010

O que pode decidir as eleições?

Final de semestre, copa do mundo. Falta de tempo pra escrever, e, provavelmente, de disposição pra ler sobre política. Então nada de sair dissertando sobre o quanto pode ser simbólico o lançamento da candidatura de Serra num decadente clube de classe média em Salvador, dizem que sem nenhum negro no palanque. Nem dá pra comentar as últimas da história de um dossiê supostamente feito pela campanha de Dilma contra Serra – o mais concreto dela, por enquanto, é que há um livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior sobre as privatizações da era FHC, a ser lançado depois da copa.

Pra lá disso tudo, o que talvez realmente influencie essa campanha são os fenômenos econômicos que ocorreram durante o governo Lula, como mostra matéria da Folha, que fez boa entrevista com o economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV do Rio. Eis alguns dados:

- queda da desigualdade por sete anos consecutivos, fora um, e retomada da redução em ritmo mais acelerado este ano;

- 10% de redução de pobreza de abril de 2009 a abril de 2010;

- ascensão de 31,9 milhões de brasileiros às classes ABC;

- 20 milhões de pessoas saíram da pobreza em cinco anos;

- a diminuição da pobreza não se deve só ao Bolsa Família, mas também ao aumento do emprego formal, da renda do trabalho e à valorização do salário mínimo (de 1,4 a 2,2 cestas básicas):

“Para Lena Lavinas, especialista no assunto no Instituto de Economia da UFRJ, a pobreza no Brasil cai especialmente por conta da criação de vagas formais no mercado de trabalho.
‘Cerca de 90% dos novos empregos formais nos últimos anos pagam até três salários mínimos (R$ 1.530,00). Isso favorece diretamente os mais vulneráveis’, diz Lena.
Além de criar quase 13 milhões de empregos formais (de 28,7 milhões para 41,5 milhões), o governo Lula patrocinou um aumento real (acima da inflação) de 53,6% para o valor do salário mínimo.”

“Ademir Figueiredo, coordenador do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), afirma que a recuperação do salário mínimo ‘foi o grande ‘programa social’ de Lula’. "Pois ele tem impacto direto sobre o crescimento da renda familiar."

A história do dossiê é vaguíssima, e deve atingir muito mais a candidatura de Serra no segundo semestre. A política externa, ao contrário do que se pensa, tem apoio da opinião pública. Não parece haver condição política de derrubar a candidatura Dilma nos tribunais, seja pela aprovação de Lula, seja pela falta de base social da oposição (no discurso de Serra, isso virou “não tenho esquadrão de militantes pagos com dinheiro público”, ou algo assim), seja porque nesse campo os demo-tucanos tampouco têm ficha limpa.

Muito mais que isso, o bom momento econômico tende a ter um papel importante (veja no NPTO), e essa transformação social é atribuída principalmente ao governo Lula - em minha opinião, de forma justa. Não é lábia nem simbolismo, foram feitos reais, sentidos pela maioria.

Enfim, é a realidade social, estúpido.


Share/Bookmark

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Os presidenciáveis no Twitter

Publicado no Portal Terra em 8/06/2010 com o título "Raio-X dos perfis de Serra, Dilma e Marina no Twitter" e escrito por Ivan Guevara e Ana Brambilla. Os gráficos foram extraídos do serviço Followers Wonk. – Walter Dos Santos
A presença dos pré-candidatos à Presidência da República em redes sociais como o Twitter tem se consolidado como um dos diferenciais desta Eleição. Que Serra twitta de madrugada e que as duas pré-candidatas tem assessores para mídias sociais já não é novidade. Mas a pergunta que fazemos é: o que mais pode estar por trás dos tweets dos presidenciáveis-twitteiros?

Com a ajuda de algumas ferramentas online, descobrimos, por exemplo, que Marina, Dilma e Serra têm apenas um following em comum: o perfil do blog do jornalista Ricardo Noblat, que retribui o “follow” do trio.


Também é baixo o número de contas em comum seguidas apenas por Dilma e Marina: só o perfil @congemfoco está na lista das timelines observadas por elas. Trata-se do site de análise política Congresso em Foco que, curiosamente, não segue nenhuma das duas pré-candidatas.

Já Serra e Dilma compartilham dois following: o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e a jornalista Cristina Lobo.

Quem tem mais afinidade, pelo menos no mundo do twitter, é Serra e Marina. Eles possuem o maior número de contas em comum: sete. Entre elas estão o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o apresentador Marcelo Tas, e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ).

Até o momento em que este post foi fechado, o gráfico dos followings de Dilma, Serra e Marina estava assim: (ver gráfico acima)

Observe: só nessa amostragem, Serra segue dois twitteiros de partidos da oposição. Espiar a concorrência faz parte da estratégia?

Até o momento em que este post estava sendo escrito, Serra liderava o número de contas seguidas, somando 5,018 perfis; já Marina segue 123 contas; e Dilma apenas 71.

Outra curiosidade é por quais ferramentas/sites os presidenciáveis postam seus tweets. Se conferirmos os últimos sete dias, constatamos que Dilma e Serra são mais “clássicos”, escrevem suas mensagens da própria página do Twitter na web. Já Marina é mais ousada, prefere ferramentas como HootSuite e Seesmic.

Bem que a gente gostaria de comparar os followers dos 3 pré-candidatos no Twitter. O problema é que a ferramenta que usamos para esta análise alertou que José Serra tem seguidores demais para fazer a comparação. Aliás, se alguém conhecer outra ferramenta de comparação de perfis, a gente agradece pela sugestão.

Mesmo sendo possível só sobrepor os followers das presidenciáveis, elas compartilham mais de 23 mil seguidores. Serão indecisos ou fanáticos por campanha eleitoral?
Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/walterdossantos

Share/Bookmark

Dossiês e PT – tudo a ver (2)

Publicado no blog do Reinaldo Azevedo em 13/06/2010, com o título "Quando uma canalhice busca lavar a outra". – Walter Dos Santos
A Folha noticiou na edição deste sábado que os novos aloprados, a serviço da candidatura de Dilma Rousseff, armaram também um dossiê contra Eduardo Jorge Cardas Pereira, vice-presidente do PSDB, numa evidência de que “os caras” não queriam apenas liquidar com o candidato da oposição. O objetivo era acabar com a oposição inteira.

O caso de Eduardo Jorge é especialmente perverso porque, ao tempo em que era secretário-geral da Presidência (governo FHC), quase foi esmagado pela calúnia petista e de setores aloprados do Ministério Público — com o endosso, infelizmente, de boa parte da imprensa. Processou seus caluniadores ou representou contra eles nos órgãos competentes e venceu todos os embates.

Quase 10 anos depois, reportagem da Folha demonstra que os petistas estão no poder, mas seus métodos continuam os mesmos. O mais importante agora: A PROVA DA VIOLAÇÃO DESMONTA UMA OUTRA FARSA PETISTA. DIREI POR QUÊ.

O sigilo fiscal de Eduardo Jorge foi quebrado ilegalmente. O dossiê que fizeram contra ele só seria possível com o vazamento de suas declarações à Receita Federal. Ou por outra: seu sigilo fiscal foi violado sem autorização judicial. Quem o fez violou também a CONSTITUIÇÃO. É um crime gravíssimo. Já volto a este ponto. Retomo a questão que deixei ali no pé do parágrafo anterior.

Pegos com a boca da botija, fazendo um novo dossiê, os petistas tentaram arranjar uma saída: o papelório contra Serra e sua família nada mais seria do que o conteúdo de um suposto livro do ex-jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Não se trataria, portanto, de coisa nova, articulada pela Casa do Espanto de Brasília — aquela em que circulam os Lanzetta’s Boys, cujo aluguel é pago em dinheiro vivo. Ditas as coisas de outra maneira: os petistas tentaram usar o aliado Amaury para lavar a nova sacanagem. Essa versão também foi para o brejo.

O dossiê contra Eduardo Jorge contém dados relativos a 2009. Trata-se, portanto, de coisa fresca. Isso evidencia que os petistas mentem — alguém está surpreso? ELES ESTAVAM, SIM, PRODUZINDO NOVAS PEÇAS DE DENÚNCIA CONTRA OS ADVERSÁRIOS. Eduardo Jorge não é candidato a nada; não disputa eleições. É um quadro do PSDB. O jogo para aniquilar adversários incluía Serra, candidato da oposição, mas também o vice-presidente do partido. É o jogo da aniquilação do outro.

Eduardo Jorge é uma parada dura para os petistas porque é um obsessivo com a documentação. Da outra vez, provou a montanha de mentiras contra ele porque sempre muito bem-calçado com os fatos e suas provas. Desta vez, não é diferente. A movimentação dita “suspeita” em suas contas tem a ver com o inventário de um patrimônio familiar. O vice-presidente do PSDB tem todos os dados em mãos para demonstrar que estava sendo vítima de mais uma armação.

A Casa do Espanto do Lago Sul, em Brasília, onde ficava a turma do Lanzetta, tinha— ou tem — um chefe, e seu nome é Fernando Pimentel, cuja situação como “coordenador” de Dilma se torna, a cada dia, mais insustentável, ainda que, no mesmo ritmo, mais compreensível. As identidades entre ambos são mesmo impressionantes: militaram no mesmo grupo terrorista e fazem um esforço danado para simular seu apreço às regras do jogo democrático, mas, como se nota, podem atuar também no mundo das sombras. Quando o Brasil era uma ditadura, escolheram o caminho da luta armada e do terror; na democracia, escolhem o dos dossiês, mundo este em que são protagonistas os arapongas, os espiões e os bandidos.

Chega! A casa — também a do Espanto — caiu. Como se vê, a operação era bem mais ampla do que parecia. Serra poderia ser o principal, mas não era o único alvo dos enlameadores de reputações. Tratava-se de uma operação grande, em várias frentes. Supor que tudo aquilo estava em curso sob a coordenação de um simples Lanzetta corresponde a subestimar a inteligência alheia. E Pimentel, tudo indica, subestima.

Notem: a falcatrua que tentaram armar contra Serra é, sim, muito grave. Mas se trata, em boa parte, da imaginação aloprada de escribas de aluguel, pagos para caluniar, para difamar, para inventar. O caso de Eduardo Jorge é infinitamente mais grave. Os dados que foram parar no papelório petista integram o conjunto de informações sigilosas prestadas a um órgão público. Alguém se aproveitou de sua condição de servidor — provavelmente, uma das milhares de nomeações feitas no bojo do aparelhamento de estado — para violar um sigilo garantido pela Constituição.

Em seu discurso na convenção do PSDB (ver posts abaixo), Serra falou sobre esse jogo perverso de eliminação do outro. Na escolha entre o candidato tucano à Presidência e a candidata petista, há clivagens as mais distintas. Mas há uma, tudo o mais estivesse empatado, que desempata o jogo para que tem a democracia como norte: trata-se de optar entre o estado democrático e de direito e o estado policial.

O PT vinha tentando usar uma canalhice para lavar outra. O dossiê do tal Amaury era, com efeito, só a parte velha, requentada, do novo dossiê. Ou por outra: o PT juntava às mentiras e armações antigas as novas mentiras e armações. Como vocês bem se lembram, essa gente asquerosa tentou meter até este escriba em seu jogo sujo. A idéia é que não sobre nada em pé na República: tudo tem de cair de joelhos diante da divindade do Luís 14 do Mensalão.

Não há dúvida de que são tempos difíceis. Mas também são tempos muito interessantes porque nos impõem escolhas. Pode-se ficar com a democracia, com o estado de direito e com as garantias asseguradas pela Constituição. E se pode ficar com Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, Lanzetta e seus métodos.
Share/Bookmark

Dossiês e PT – tudo a ver (1)

Publicado no blog do Reinaldo Azevedo em 13/06/2010, com o título "O solo petista é propício à geração espontânea de dossiês". – Walter Dos Santos
“Não pedimos, não fizemos, não divulgamos nenhum dossiê, nenhuma investigação sobre Eduardo Jorge”.

A fala é de Cândido Vacarezza (SP), líder do PT na Câmara. Repete negativa de José Eduardo Dutra, presidente do partido, referindo-se ao dossiê contra Serra. É mesmo um troço impressionante.

No PT, há um solo propício ao que se poderia chamar, então, de “geração espontânea de dossiês”. Ninguém “pede”, ninguém “faz”, ninguém “encomenda”, ninguém “divulga”, mas o papelório aparece. Que seja sempre um petista ou alguém a serviço do partido a oferecê-lo a jornalistas, isso é só uma coincidência.

Desde os tempos de Primeira Leitura — revista que, ainda hoje, mesmo depois de morta, desperta rancor e fúria —, aponto o conluio nefasto entre PT, setores da imprensa, setores da Polícia Federal e do Ministério Púbico. Havia uma verdadeira linha de produção de “fatos” contra os inimigos do partido. Vigaristas, durante um bom tempo, solidificaram a sua reputação de “jornalistas investigativos” divulgando a invencionice da bandidagem.

O exemplo mais notável e duradouro de armação foi o tal Dossiê Cayman — não por acaso, contra figuras do governo FHC. Seus maiores divulgadores no jornalismo pararam de falar no assunto, depois que os autores da mentira foram presos, sem se descuilpar nem com os leitores. O mesmo procedimento procurou enlamear o processo de privatização.

O fato de alas saneadoras da imprensa se negarem, hoje, a ser porta-vozes de bandidos não deixa de ser um sinal positivo. Mas que se note: a linha de produção continua operando.

A política não é exatamente um lugar de santos ou um convento — a rigor, nem os conventos são… conventos! Mas que não tentem me atrair para a falácia de que “todo são iguais”. Iguais em quê? Segundo qual critério? FHC ficou oito anos do poder apanhando dos petistas, que botavam o bloco da rua — inclusive com o movimento “Fora FHC”. Alguém viu tucanos a oferecer “dossiês” a jornalistas contra Lula e seus valentes? A maior crise do governo Lula, a do mensalão, foi provocada pela base aliada.

Na oposição ou no governo, a prática dos petistas continua a mesma. A diferença é que, agora, dominam o aparelho de estado e o mobilizam contra adversários, coisa típica de estado policial. Trata-se de respeitar ou não as regras do jogo democrático. E eles não respeitam.

Share/Bookmark

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ferreira Gullar: O PT é um perigo e o Lula é demagogo

Entrevista do poeta Ferreira Gullar ao jornal mineiro O Tempo publicada em 8/06/2010 por ocasião do lançamento do seu novo livro, "Em alguma parte alguma", em Belo Horizonte. – Walter Dos Santos
Na segunda parte da entrevista, Ferreira Gullar fala do novo livro e do momento político brasileiro. O poeta faz críticas ao presidente Lula e ao PT.

No sarau de hoje você vai declamar algum poema do seu livro novo? 
Vou. Mas ainda não sei qual.

Quando vai sair seu novo livro de poemas, “Em Alguma Parte Alguma”? 
Vai sair logo depois do meu aniversário, que é em 10 de setembro [Gullar fará 80 anos). Mas a data certa ainda não sei.

Você continua não andando de avião? 
Não. Eu não ando mais de avião. Eu tenho estresse. O estresse do aeroporto, da viagem... Atrasa tudo. Andar de avião é um sofrimento. A coisa mais rara é você chegar e embarcar na hora. É avião demais voando, e os aeroportos não comportam essa quantidade.

Você vai até Lisboa para receber o Camões? 
Não sei. Não quero nem pensar nisso. Lá eu não vou não. Pegar avião para cruzar o Atlântico, ficou louco?

Você tem escrito ensaios? 
Não. A minha ocupação permanente são as crônicas que faço para a “Folha de S. Paulo”. Tenho um livro chamado “Relâmpagos”, em que reuni textos poéticos sobre arte. Agora, estou preparando “Relâmpagos 2”, selecionando artigos que escrevi para algumas exposições, e textos que estou escrevendo. Devagar, sem pressa. Um livro que está me dando muito prazer de escrever.

Neste ano temos eleição presidencial. Você está animado? 
Ah, vai ser uma batalha. Os dois candidatos estão empatados. Espero que o Serra ganhe. Será um absurdo se o Lula, que empurrou a Dilma garganta adentro do PT, vá empurrar agora garganta adentro do país só pela vontade exclusiva dele. Acho que nem a Dilma é a favor disso.

Mas o governo Lula não teve nenhum mérito? 
Não é que não teve nenhum mérito. O principal problema do Lula é ele não reconhecer o que ele deve aos governos anteriores. Tudo dele é “Nunca na história deste país...”. Ele se faz dono de tudo o que ele combateu. Por que o Brasil passou pela crise da maneira que passou? Porque havia o Proer (programa de auxílio ao sistema financeiro). Mas o PT foi para a rua condenar o Proer dizendo que o governo FHC estava dando dinheiro para banqueiro. E a Lei de Responsabilidade Fiscal? O PT entrou no STF contra a lei. Ainda está lá o processo do PT para acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT era contra o superávit primário,era contra tudo. Quer dizer, tudo o que eles estão adotando e que se constitui a infraestrutura da política econômica eles combateram. Agora o cara não reconhece isso: ele diz que fez tudo. O Lula é, de fato, uma pessoa desonesta. Um demagogo. E isso é perigoso. Está arrastando o país para posições que são realmente inacreditáveis. O cara se tornar aliado do Ahmadinejad, o presidente de um país que tem a coragem de dizer que não houve o Holocausto? Ele está desqualificando mundialmente porque está negando um fato real que não agrada a ele. Então não pode. O Brasil vai se ligar a um cara desse? É um oportunismo e uma megalomania fora de propósito. É um desastre para o país. Eu espero que a Dilma perca a eleição. Não tenho nada contra ela, mas contra o que isso significa. O PT é um perigo para o país. O aparelhamento do Estado, o domínio dos fundos de pensão... Um sistema de poder que vai ameaçar a própria democracia. As pessoas têm que tomar consciência.

Share/Bookmark

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Um repórter escroto

Pequeno currículo de Amaury Ribeiro Júnior, repórter investigativo responsável pelo livro que vem sendo transformado em “dossiê'” encomendado pela campanha de Dilma Roussef, só pra deixar claro como faz sentido questionar a sua credibilidade:

“Dono de três prêmios Esso e vencedor de quatro prêmios Vladimir Herzog, entre muitos outros, Amaury Ribeiro Jr., 47 anos, é daqueles repórteres de imersão total na matéria, nem que para tanto tenha de correr riscos. Foi assim quando, investigando o assassinato de jovens pelo tráfico, foi baleado nos arredores de Brasília. Trabalhou, entre outros jornais e revistas, para O Globo, Isto É e Correio Brasiliense. Autor de reportagens sobre a guerrilha do Araguaia, a prostituição infantil e os entraves à educação do país, Ribeiro Jr. dedica-se, nos últimos dois anos, a esmiuçar os meandros do conturbado processo de venda das estatais brasileiras na bacia das almas nos anos 1990. E à investigação da lavagem internacional do dinheiro da corrupção. Integrante do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) agora ele vasculha o que chama de ‘aloprações tucanas’.”

Fonte: Luis Nassif Online

Enquanto no Nordeste sempre ouvi que algo fudido era ruim (como em “E quem era inocente agora já virou bandido / Pra comer um pedaço de pão todo fudido”, de Chico Science), em São Paulo uma coisa fudida pode ser boa, como em “carro fudido, mano”. Algo análogo acontece com escroto. Prevalece o sentido pejorativo (Como em Bichos Escrotos, do Titãs), único que eu conhecia - uma injustiça grande com a porção da anatomia masculina responsável por metade de nosso DNA. Mas  um tênis escroto, aqui, é aquele dos mais caros, cheios de molas e cadarços coloridos. Enfim, escroto é também algo irado, fudido, nervoso.

Nesse sentido vale dizer: esse Amaury Ribeiro Júnior é mesmo um repórter escroto!


Share/Bookmark

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dilma quer que o dossiê contra Serra seja divulgado

Publicado originalente no blog Coturno Noturno de 8/07/2010. – Walter Dos Santos
Pode haver declaração mais petralha? Pode haver mais mau caratismo? Pode a declaração abaixo, dada por Dilma Rousseff, do PT?
"Vou reiterar. Tais documentos, se existirem, não foram elaborados pela nossa campanha. Vamos deixar isso claro. Qualquer outra ilação é uma falsidade. Era bom que aparecessem esses documentos aos quais todo mundo se refere e ninguém demonstrou a existência". 
Ela não quer perder o investimento. Quer que o dossiê seja publicado pela grande mídia. Quer que ao "documentos" que vários veículos de comunicação receberam e jogaram fora por serem falsos parem nas manchetes. A petista entende como ninguém de dossiês. Fez um contra Dona Ruth Cardoso, que chamou de banco de dados. Ela não se contenta com a publicação da podridão contra Serra nos blogs do esgoto que o governo financia. Ela quer Jornal Nacional. Quanta escrotidão!

Share/Bookmark

segunda-feira, 7 de junho de 2010

“Dossiê”: entrevista e vontade de esclarecimento

A Folha divulgou hoje entrevista com o jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Eis trecho:

Por que ocorreu a reunião?
Não era só vazamento, começaram a roubar coisas lá dentro. Sabotagem. [...] O Onézimo chegou nessa reunião dizendo que ele tinha condições de destruir isso porque ele havia trabalhado antigamente, e que tinha brigado com o pessoal, da inteligência do Itagiba. [...] Quando o Serra assumiu o Ministério da Saúde, ele montou --com o pretexto de investigar laboratórios-- uma central de espionagem, que era formado por quem? É só você ver quem estava cadastrado. Era um agente do SNI, o "agente Jardim", que até pouco tempo estava no gabinete [de Itagiba na Câmara], um ex-delegado... Isso quem falou foi o próprio Onézimo.

Ele chegou nessa reunião [e disse]: "Pô, vocês estão atrasados, porque essa equipe está trabalhando há dois anos". "Fazendo o quê?" "Ah, eles estão levantando dossiê contra o pessoal, esse povo do Itagiba está levantando 300 dossiês contra pessoas do PMDB, e quem do PMDB não votasse com o PSDB, estão fazendo chantagem, estão chantageando". [...] E disse o seguinte: que tinha sido convidado, inclusive, para integrar esse grupo. "Então pra gente descobrir quem está com vocês, aí, é muito fácil, porque eu já trabalhei lá". Ele contou também que trabalhou --o que facilitaria [seu trabalho]-- que já tinha trabalhado no grupo de inteligência da campanha de Fernando Henrique em 1994.

Ele disse que esse grupo do Itagiba, depois de vasculhar a vida do Aécio Neves e da Dilma e não ter encontrado nada contra, eles estavam desesperados. E disse que tem uns 500 dossiês contra o pessoal do PMDB. Essa é a verdade.”

Nassif sugeriu recentemente que está havendo uma tentativa do jornal de recuperar a credibilidade jornalística. Tomara. Deve fazer parte desse movimento o juízo de que ignorar o que está acontecendo na internet é insustentável.

Já no Estadão, Dora Kramer, hoje, parece ignorar inteiramente as informações que circulam na rede sobre o livro do repórter. E afirma:

“Se o PT tem informação relevante de interesse público a respeito, diga do que se trata.”

Mas, se o partido processa Serra pela acusação infundada quanto a Dilma ser responsável pelo dossiê, aí:

“Essa ação na Justiça é um gesto vazio e não ajuda a esclarecer coisa alguma.”

Ah, certo, a acusação do candidato tucano não foi “gesto vazio”, e ajudou a esclarecer muita coisa.


Share/Bookmark

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cristovão Tezza: O evangelho segundo Lula

Publicado originalmente no jornal Gazeta do Povo em 27/04/2010. – Walter Dos Santos 
Sentindo-se solitário e triste na escuridão do final dos tempos, disse Lula: “Fiat Dilma!” E Dilma se fez. E Lula viu que estava razoável, contratou um instituto de beleza e outro de opinião, e viu que com ele ninguém podia, e resolveu separar os bons dos maus e a luz das trevas, para uma nova batalha celeste. E acalmou seu rebanho indócil e arregimentou profetas de outras colônias para sua nova missão; chamou os anjos mensaleiros, convocou os santos antigos e ungiu velhos inimigos convertendo-os à Guerra Santa pelo báculo Lulista. “Vai ser fácil!”, bradou ele na Assembleia do Purgatório, e os anjos abraçados fizeram “Hurra! Hurra! Hurra!” E Lula viu que isso era muito bom e foi descansar.

E no segundo dia Lula resolveu desenterrar o Príncipe das Trevas, o satânico FHC, e viu que isso era bom; e lançou contra ele a Voz do Senhor, e separou as águas puras das impuras, o Bem do Mal, o Fim e o Início dos Tempos, e decidiu que o inimigo era FHC, e não o Candidato; e viu também que o Candidato não saía da moita, e augurou tempestades nas hostes dos inimigos, aflitos de indecisão, e viu também que isso era muito bom, e foi descansar.

No Terceiro Dia, o Senhor Lula viajou pelos quatro cantos da Terra para levar sua palavra e re fazer o mundo; e ganhou muitos adeptos, santinhos autografados e fotografias na primeira página, e ele viu que isso, sim, era muito bom; e resolveu comprar avião de guerra, mas sem dizer, dizendo, de quem compraria; e ele viu que isso era bom, e tocou o barco pelos oceanos até que a água baixasse; e mandou uma pomba de paz com uma camisa da Seleção para o Irã, que soltou mísseis em regozijo, e um grande abraço para Cuba, que não soltou ninguém, porque os passos do Senhor Lula são inescrutáveis e os fiéis abrem caminho, e isso, ele viu, é muito bom.

No Quarto Dia o Candidato das Trevas levantou-se da tumba e proclamou-se o primeiro da lista, aquele que sucederia ao Senhor; e sua voz foi ouvida e um murmúrio correu entre os pastores e homens do povo, e seu nome subiu nas pesquisas; e vendo Lula que isso era realmente muito ruim, arregimentou o Profeta Ciro para combatê-lo; e o Profeta Ciro subiu ao monte e bradou, sacudindo o cajado, que o Candidato Inimigo era mais feio por dentro do que por fora, e o Senhor Lula cofiou a barba pensando se aquilo era mesmo bom; e teve sonhos intranquilos.

No Quinto Dia, decidiu Lula tirar o Profeta Ciro do caminho, e com retórica divina convenceu a seita de Ciro a colocá-lo para escanteio; e o Conselho do Limbo deliberou pela Palavra do Senhor, e Ciro foi despojado de sua mitra e seu microfone, e condenado a passar 40 dias e 40 noites no deserto, e Lula viu que isso era ótimo; e encerrando a Obra em cinco dias, mandou Dilma fazer milagres e andar sobre as águas, abriu uma cervejinha e foi descansar, à espera do Dia do Juízo Final.

Share/Bookmark

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vestibular (1) - Profa. Dilma ensina Geografia, Cinema e Literatura

Dilma Roussef: 
"Em Vidas Secas, as pessoas saem 
do Nordeste para vir para o Brasil"


Share/Bookmark

domingo, 2 de maio de 2010

O Globo: Para sociólogo francês, Lula foi continuação de FHC

Publicado originalmente no jornal O Globo de 1º/5/2010, com o título "Touraine: Serra é continuidade" (via blog do Noblat). – Walter Dos Santos

De Merval Pereira:

O sociólogo francês Alain Touraine, diretor de estudos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, foi professor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e conhece Lula há bastante tempo, a ponto de ter atuado para que a transição de poder entre os dois se desse da maneira como ocorreu, que ele classifica de “generosa” por parte de Fernando Henrique.

O sucesso do país, inclusive no campo internacional, Touraine atribui justamente a uma continuidade de projeto político, já que, numa análise mais aprofundada, ele está convencido, não é de hoje, de que os períodos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula são parte de um mesmo projeto.
Leia também em nosso blog: The Wall Street Journal: O melhor de Lula é o FHC
Aqui em Córdoba, onde participou da Conferência da Academia da Latinidade, Touraine me disse que o Brasil está encontrando uma maturidade como nação, com um mercado interno forte e elementos de economia avançada.

O consenso entre as forças políticas sobre a necessidade de combinar políticas realistas na economia e preocupação com a melhoria social tem prevalecido nesses últimos 15 anos, e a isso o professor francês atribui a continuidade dos avanços.

(Leia a íntegra do artigo em Touraine: Serra é continuidade)

Share/Bookmark

O Globo: Dilma ainda procura seu espaço na campanha

Publicado originalmente no jornal O Globo de 2/5/2010 (via blog do Noblat). – Walter Dos Santos
Cercada de assessores e aliados, ela pouco tem tido voz ativa na condução da pré-campanha; Lula é esperado

De Maria Lima e Gerson Camarotti, de O Globo:

Dilma tem que sorrir mais, tem que afinar a voz, tem que se vestir assim. Dilma não pode viajar a tal lugar, tem que ser mais afirmativa, menos arrogante, tem que apoiar tal candidato.

A ex-gerentona do governo Lula já fez de tudo, dançou fado português, cantou “El día que me quieras” em programa popular de TV, mas, para os “experts” em campanhas políticas, ainda não encontrou um rumo que dê segurança aos aliados. E está ainda procurando seu espaço próprio na campanha.

Dilma passa a maior parte do tempo cercada por assessores de tudo: de imprensa, internet, imagem, comunicação, voz. Sem autonomia, não sabe o rumo das negociações de palanques nos estados ou mesmo o que está sendo agendado de viagem.

Diante de tantos comentários, opiniões e críticas, a pré-candidata petista tem se mostrado mais insegura e solitária. Segundo interlocutores da ex-ministra, isso tem feito com que ela mostre

Share/Bookmark

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Charges.com: Dilma no Twitter

Publicada originalmente no site Charges.compor Maurício Ricardo Quirinocom o título "Nova Tuiteira". – Walter Dos Santos




    Siga-me no Twitter: http://twitter.com/walterdossantos

Share/Bookmark

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Azevedo: Sobre a entrevista de Dilma Roussef na Band

Texto publicado originalmente na coluna de Reinaldo Azevedo de 21/04/2010, com o título: “A gente tem ainda um minuto e 40 segundos. O que a gente faz agora? Quer cantar?”. O vídeo com a parte final da entrevista de Dilma Roussef, citada na coluna e dada ao programa Brasil Urgente do mesmo dia, foi extraído do site da TV Bandeirantes. – Walter Dos Santos

É…

Estava eu aqui, como a Inês de Castro, de Camões, “posto em sossego!, quando uma amiga avisa pelo MSN: “Dilma está no Datena”. Essa profissão não é bolinho, não! Lá vou eu. Já tinha perdido a primeira parte em que ela se disse devota de Nossa Senhora de Fátima. Como sintetizar a entrevista? Acho que esta fala de Datena diz tudo: “Temos ainda um minuto e quarenta segundos. O que a gente faz? Quer cantar?” Como a petista não tinha mais nada a dizer — e, de fato, tinha passado o tempo todo tentando dizer alguma coisa —, ensaiou: “El día que me quieras”… E soltou mais uns dois versos em “embromacíon“, a versão em espanhol do “embromation“.

Não foi o único momento constrangedor, não, daqueles que causam vergonha alheia. Faltando uns três minutos para o fim do programa, o apresentador mandou ver: “A senhora até agora não me deu a manchete. Diga alguma coisa pra ser manchete”. E ela, com aquela sua descontração natural: “Achei a entrevista com você o máximo!”.

Entrevista de Dilma Roussef ao Brasil Urgente – parte final

Mas nem uma coisa nem outra foram o auge do constrangimento. Alguma coisa combinada nos bastidores não deu certo, e Dilma sofreu um apagão mental no meio da entrevista — espero que a Band mantenha a entrevista em seu site. Datena: “A senhora me falou que ia dizer uma coisa aqui pela primeira vez”. Dilma arregalou os olhos, passou a olhar desesperadamente o vazio em busca de algum auxílio, engrolou palavras sem muito nexo até que achou a idéia luminosa:“Eu quero dizer que eu amo o meu país e que já é muita coisa ter chegado até aqui”. E o apresentador um tanto surpreso com o comportamento basbaque dela: “Mas isso não quer dizer que já esteja bom”. E Dilma: “Não! Lembro sempre a mãe do presidente, que falava: ‘Teime, Lula, teime!’” Lula, Lula, Lula…

Temer
O entrevistador quis saber se Michel Temer (PMDB), presidente da Câmara, é um bom candidato a vice. Com “zero” de entusiasmo, ela disse que era um bom nome. Mas se negou a tratá-lo como o candidato do partido ao cargo. Ocorre que ele É O CANDIDATO do PMDB!

Foi difícil levar a coisa até o fim, como se nota. A fala de Dilma ia se fragmentando e se perdendo em anacolutos, com parênteses dentro de parênteses, onde ela intercalava frases, metendo apostos em apostos… O raciocínio não era um novelo que se desenrolava, mas uma grande embromação. Depois de algum tempo, ninguém entendia nada. E quem conferia alguma inteireza àquele caos de idéias quase claras? Acreditem: Datena!

Dilma tentou explicar o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Não conseguiu. O apresentador ajudou: “É para dar moradia digna”. Isso! É para dar moradia digna!!!

Datena indagou o que ela pensava dos ataques (quais?) que FHC lhe teria desferido. Num sinal, talvez, de que a luta do suposto “bem” contra o suposto “mal” esgotou as suas virtudes eleitoreiras, Dilma fugiu da briga e disse apenas que a crítica é natural porque FHC é de um partido de oposição… Foi o seu melhor momento.

Faltam ainda seis meses. Vamos ver o que eles vão fazer agora.

Share/Bookmark

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Estadão: O jogo bruto da candidata

O texto abaixo foi publicado originalmente como editorial do jornal O Estado de São Paulo de 21/04/2010. Ele discute a estratégia petista de tentar colar em José Serra a imagem de "anti-Lula", e de como o oposicionista tem se negado a esse papel – para o desespero de Dilma Roussef. A imagem foi acrescentada. – Walter Dos Santos
Bastaram uns poucos dias do que à legislação eleitoral brasileira apraz qualificar como "pré-campanha" para que a "pré-candidata" Dilma Rousseff deixasse claro como pretende tratar o seu adversário José Serra. Por razões de formação, temperamento e interesse, ela precisa fazer dele um inimigo inconfundivelmente identificado, contra quem, em consequência, possa mover uma guerra sem quartel. As reações agressivas da petista aos primeiros comentários do tucano sobre o governo Lula vêm de uma concepção de combate político fundada na ideia de que os argumentos do outro, não podendo ser ignorados, devem ser convertidos em armas para silenciá-lo e, no limite, aniquilá-lo.

O rombudo estilo pessoal da ex-ministra combina com a tática de terra arrasada que vem adotando. E essa é inseparável da estratégia ditada por Lula de confinar a competição pelo Planalto a um plebiscito ou, como se diz em dialeto petista, a um enfrentamento entre "nós e eles". O Serra de verdade se apresenta como candidato do que se pode chamar "continuança" - um híbrido da continuidade com a mudança. Por isso fala em "fazer mais", não em "fazer o oposto". O mote não deriva apenas da avaliação realista de que investir contra um presidente que flutua nas nuvens da popularidade é suicídio político. Resulta também da convicção de que o Brasil avançou em muitos aspectos por ter Lula sabido usar e expandir a "herança maldita" que lhe tocou.

Mas este Serra - tão à vontade ao elogiar o Bolsa-Família quanto ao criticar o PAC como "uma lista de obras", a maioria das quais "não foi feita" - não se encaixa no papel que o outro lado gostaria que ele desempenhasse. É muito equilíbrio e maturidade para o populismo plebiscitário de Lula, e desconcertante demais para o raciocínio binário da sua escolhida. Eleitoralmente pode ser um perigo: quando, além disso, o ex-governador ainda contrapuser ao "nós e eles" do presidente uma espécie de "eu e ela", jogando a cartada de sua experiência contra o noviciado da rival, isso decerto afetará a transposição de votos do patrono para a apadrinhada.

Se é esperado que uma parcela do eleitorado votará em Dilma apenas por ela ser "a mulher do Lula", outra poderá preferir Serra por ver nele o continuador mais capaz da obra do presidente. Eis por que não é de excluir que a mão pesada da candidata se volte contra si mesma. Não está escrito nas estrelas que o povo responderá amém sempre que ela estigmatizar o oponente como "lobo em pele de cordeiro", cercado de "exterminadores do futuro", para neutralizar o seu reconhecimento do que ele entende ser as conquistas da era Lula. Ou quando o chamar, depreciativamente, "biruta de aeroporto", por ele não fazer o que o PT necessita que faça: atacar em bloco o desempenho do primeiro-companheiro, em vez de separar o joio do trigo.

Já se disse que Serra perdeu para Lula em 2002 porque o tucano representava a continuidade quando o povo queria a mudança. Agora, quando povo quer a continuidade, Lula pretende a todo custo pespegar em Serra a falsa imagem do carbonário que ele próprio foi outrora: contra "tudo isso que está aí". O problema petista é fazer o rótulo colar. (O de Serra, vender a sua continuança.) É um engano preconceituoso achar que a maioria dos eleitores quer ver sangue na campanha. Quer, isso sim, saber quem é quem, em quem pode confiar mais e quem está mais preparado para fazer o que todos prometem - porque não há, no Brasil de hoje, roteiros antagônicos dos caminhos para o desenvolvimento econômico e o progresso social.

Os políticos que entendem de voto sabem que ataques como os que Dilma tem desferido contra Serra podem ricochetear na candidata que irá às urnas pela primeira vez na vida. Não terá sido por outro motivo que Michel Temer, seu provável companheiro de chapa, apressou-se a defender "um grande debate em torno dos problemas do País, não no nível das questões pessoais". Ora, o jogo bruto de Dilma é precisamente interditar esse debate, apelando para estocadas pessoais e a invencionice de que Serra é o anti-Lula.
Share/Bookmark

terça-feira, 20 de abril de 2010

Censurado: Dilma na internet frustra até o PT

Publicado originalmente no blog Censurado em 20/04/2010, com o título: "Dilma estréia na internet, frusta militância e expõe uma verdade: ela não ouve a população". – Walter Dos Santos

Blogueiros que participaram ontem do lançamento do site da ex-ministra Dilma Rousseff na internet manifestaram frustração com suas respostas e criticaram a organização do evento, oferecendo uma amostra das dificuldades que os partidos deverão encontrar ao usar de forma mais intensa a internet na campanha presidencial deste ano. Para inaugurar o site de Dilma, o PT organizou um evento em que a candidata respondeu perguntas gravadas previamente por cinco blogueiros convidados pelo partido. A ex-ministra também respondeu a um torpedo e três perguntas recebidas por email que seus assessores selecionaram durante o evento, que foi transmitido ao vivo no próprio site e durou uma hora.
Do Valor Econômico
[Comentário do Censurado: Essa é para arrebentar. É prova maior que ninguém mais confia em Dilma, nem mesmo dentro do seu próprio staff de campanha – naturalmente também orientados por Lula. Como ela faz um evento para estréia de seu site com participações de internautas previamente selecionadas? Nem os petistas aprovaram. Isso não mostra incompetência para operacionar a internet. Mostra falta de segurança e, o que é mais grave, mostra que a campanha dela vai fugir do debate real. Mostra que ela não está preparada para o confronto, que tem medo do confronto das idéias. Fica fácil responder somente o que é de interesse para resposta.

Eu mesmo fiz diversas perguntas à candidata mas não tive resposta. Quis saber se é verdade que ela esteve envolvida no roubo aos dois milhões de dólares do ex-governador Adhemar de Barros. Perguntei também se é verdade que a substituta dela na Casa Civil é a mesma senhora que gastou dinheiro público produzindo dossiês políticos contra adversários políticos da Dilma. Tive resposta? Não. Vai ver não passei no crivo da equipe de campanha dela. Ou ela leu e decidiu não responder ou sua equipe não repassou a pergunta a ela. Como ela se diz uma democrata, acredito que a segunda hipótese, a da equipe, seja a mais apurada. Sendo assim, parece que a Dilma é cercada pelo mesmo tipo de assessores do presidente Lula: ela só ouve o que é bom. É aquele famoso assessor namorado, sabe? Só elogia.

Não sei se sabem, mas esse é o modo de operar da esquerda há muito, muito tempo. Quando Lenin ainda era o tirano chefe na União Soviética, por volta de 1922, mas estava muito doente, seus assessores imprimiam edições falsas do Pravda (jornal estatal de maior expressão na URSS) que continuam somente boas notícias. Não importava que milhões passassem fome ou frio. O importante era que o líder achasse que estava tudo bem, e na maioria das vezes não estava. Se Lenin soubesse dos milhões passando fome, creio que ele teria mandado todos os assessores à forca e resolveria o problema da fome na URSS (pelo menos é o que penso da imagem humanista pintada pelos comunistas sobre seu líder). Neste caso, os assessores pagaram seus salários com milhões de vidas. Preserva-se o emprego às custas da verdade e da transparência. Pois então, vemos que Lenin fez escola.
]

Share/Bookmark

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails