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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quão eficaz é o Bolsa Família? (2)

Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo em 31/05/2010 com o título "Beneficiários do Bolsa-Família não superaram miséria". – Walter Dos Santos
por MARTA SALOMON - Agência Estado


Beneficiários do Bolsa-Família nas regiões Norte e Nordeste ainda não superaram, na média, a condição de pobreza extrema, na qual os membros da família recebem até R$ 70 por mês cada um, revela o mais recente perfil do programa de transferência de renda do governo, divulgado hoje.

O estudo mostra que as cerca de 7,5 milhões de famílias beneficiárias do Nordeste e do Norte têm renda média de R$ 65,29 e R$ 66,21, respectivamente, após o pagamento do benefício. A bolsa varia de R$ 22 a R$ 200, dependendo do grau de pobreza e do número de filhos da família.

"O valor do benefício, de R$ 95, em média, é pequeno, insuficiente para superar a pobreza", avalia Lúcia Modesto, secretária responsável pelo Bolsa-Família no Ministério do Desenvolvimento Social, insistindo em que o programa não tem por objetivo substituir outras fontes de renda das famílias.

O peso do benefício foi relevante no aumento da renda em todas as regiões do país, sobretudo no Norte e Nordeste, mostra o estudo. Em média, o benefício aumentou em quase a metade (48,74%) a renda por pessoa da família.

A ministra Márcia Lopes estima que mais de 2 milhões das 12,4 milhões de famílias que recebem o benefício ainda sejam consideradas

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domingo, 30 de maio de 2010

Nordestinos: “aquela coisa de preconceito”

Não conheço direito o programa Legendários, com Marcos Mion, mas achei boa essa reportagem sobre a discriminação contra nordestinos no Rio e em São Paulo.

O cara que reage “Mas é aquela coisa de preconceito, né?” é o que adiante cede frente ao argumento “Pra mim é uma questão de higiene”. Precisa-se mais ou menos desse tanto pra que a maquiagem do politicamente correto desvaneça.

O discurso preconceituoso parece envolver raciocínios assim: foi por mérito próprio que o sudeste se desenvolveu mais do que o nordeste, logo temos mais direito a colher os frutos do desenvolvimento, e os imigrantes não deixam de ser algo como ladrões, ou ao menos invejosos.

Suponhamos que fosse possível nesse caso considerar o crescimento econômico sem a mão de obra barata  do imigrante. Que dizer do restante? Obviamente, tem uma premissa escondida aí, que vale a pena analisar (não briga com o pseudo-filósofo aqui, Cerqueira), a de uma espécie de direito natural à herança do esforço dos antepassados. O sujeito muitas vezes não contribuiu com coisa nenhuma pra esse desenvolvimento de que se orgulha, e se acha muito com razão de usufruir mais de suas benesses porque… nasceu no lugar certo, o que - teses sobre vidas passadas à parte – não costuma depender de empenho individual.

Nas “discussões” sobre as cotas, a medida do desempenho feita pelas provas traveste-se de milimétrica auferição de mérito, não importa de que condições cada candidato partiu. O apego à meritocracia, contudo, relativiza-se tão logo esteja em jogo qualquer perda de privilégios.

Algo disso também pode ser visto no futebol. É claro, os salários são fora da realidade, há todo tipo de maracutaia, etc. Mas em muito da crítica feita às ferraris e mansões dos jogadores, não está também um torcer de nariz por sujeitos “sem classe” estarem por cima? E, digam o que disserem do marketing e dos medalhões, o motivo pra os jogadores brasileiros serem em sua maioria “de origem pobre” é que a seleção, nesse caso, é meritocrática (teses dunguísticas à parte, alguém talvez diria).

Não se trata de incoerência, mas de outra forma de coerência.  Os posicionamentos não precisam combinar-se entre si; importa é não haver contradição entre os interesses e as opiniões, cada uma tomada individualmente.


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