Mostrando postagens com marcador corrupção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corrupção. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dossiês e PT – tudo a ver (4)

Publicado originalmente na Folha Online em 17/06/2010, com o título "Ex-delegado diz que sofreu ameaça de morte após revelar dossiê sobre Serra". – Walter Dos Santos
por NOELI MENEZES, de Brasília

O delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa afirmou nesta quinta-feira que recebeu ameaça de morte após revelar que havia sido procurado por supostos emissários da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) para investigar o candidato tucano à Presidência, José Serra, e produzir dossiês sobre ele.

"Recebi um e-mail dizendo que eu ia me transformar em nome de parque. Na hora, não entendi. Depois me lembrei do prefeito Celso Daniel. Era uma ameaça de morte."

O ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) foi sequestrado e assassinado em 2002. Hoje, é nome de parque na cidade que administrou.

Onézimo disse, porém, que não ficou com medo da ameaça. "Tratei como uma chacota."

O delegado aposentado reafirmou, em depoimento à CCAI (Comissão de Controle das Atividades de Inteligência) do Congresso, que foi procurado para "levantar tudo sobre" o candidato tucano.

Questionado se a investigação envolvia monitoramento telefônico, respondeu: "Eu não sou onipresente. Para um bom entendedor, um pingo é letra. Como posso saber tudo sobre um pessoa?".

Segundo ele, o convite para a reunião lhe foi feito em nome do ex-prefeito Fernando Pimentel (PT-MG). Afirmou, no entanto, que foi recebido por três supostos emissários do petista: Amaury, Luiz Lanzetta --que era encarregado da área de imprensa da pré-campanha-- e Benedito de Oliveira Neto.

O advogado de Lanzetta, Antonio dos Santos Jr., afirmou que o depoimento do delegado foi "confuso e genérico". "O sr. Onézimo será acionado legalmente pelas inverdades que está dizendo."

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que o depoimento de Onézimo confirmou as informações já publicadas pela imprensa e acrescentou mais detalhes.

Fruet disse aguardar uma resposta do sargento da Aeronáutica Idalberto Martins, conhecido como Dadá, que também foi convidado para depor na CCAI. Dadá teria participado das reuniões para discutir a elaboração de dossiês.

De acordo com o deputado, a comissão vai pedir informações sobre o sargento à Aeronáutica.
Share/Bookmark

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dossiês e PT – tudo a ver (2)

Publicado no blog do Reinaldo Azevedo em 13/06/2010, com o título "Quando uma canalhice busca lavar a outra". – Walter Dos Santos
A Folha noticiou na edição deste sábado que os novos aloprados, a serviço da candidatura de Dilma Rousseff, armaram também um dossiê contra Eduardo Jorge Cardas Pereira, vice-presidente do PSDB, numa evidência de que “os caras” não queriam apenas liquidar com o candidato da oposição. O objetivo era acabar com a oposição inteira.

O caso de Eduardo Jorge é especialmente perverso porque, ao tempo em que era secretário-geral da Presidência (governo FHC), quase foi esmagado pela calúnia petista e de setores aloprados do Ministério Público — com o endosso, infelizmente, de boa parte da imprensa. Processou seus caluniadores ou representou contra eles nos órgãos competentes e venceu todos os embates.

Quase 10 anos depois, reportagem da Folha demonstra que os petistas estão no poder, mas seus métodos continuam os mesmos. O mais importante agora: A PROVA DA VIOLAÇÃO DESMONTA UMA OUTRA FARSA PETISTA. DIREI POR QUÊ.

O sigilo fiscal de Eduardo Jorge foi quebrado ilegalmente. O dossiê que fizeram contra ele só seria possível com o vazamento de suas declarações à Receita Federal. Ou por outra: seu sigilo fiscal foi violado sem autorização judicial. Quem o fez violou também a CONSTITUIÇÃO. É um crime gravíssimo. Já volto a este ponto. Retomo a questão que deixei ali no pé do parágrafo anterior.

Pegos com a boca da botija, fazendo um novo dossiê, os petistas tentaram arranjar uma saída: o papelório contra Serra e sua família nada mais seria do que o conteúdo de um suposto livro do ex-jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Não se trataria, portanto, de coisa nova, articulada pela Casa do Espanto de Brasília — aquela em que circulam os Lanzetta’s Boys, cujo aluguel é pago em dinheiro vivo. Ditas as coisas de outra maneira: os petistas tentaram usar o aliado Amaury para lavar a nova sacanagem. Essa versão também foi para o brejo.

O dossiê contra Eduardo Jorge contém dados relativos a 2009. Trata-se, portanto, de coisa fresca. Isso evidencia que os petistas mentem — alguém está surpreso? ELES ESTAVAM, SIM, PRODUZINDO NOVAS PEÇAS DE DENÚNCIA CONTRA OS ADVERSÁRIOS. Eduardo Jorge não é candidato a nada; não disputa eleições. É um quadro do PSDB. O jogo para aniquilar adversários incluía Serra, candidato da oposição, mas também o vice-presidente do partido. É o jogo da aniquilação do outro.

Eduardo Jorge é uma parada dura para os petistas porque é um obsessivo com a documentação. Da outra vez, provou a montanha de mentiras contra ele porque sempre muito bem-calçado com os fatos e suas provas. Desta vez, não é diferente. A movimentação dita “suspeita” em suas contas tem a ver com o inventário de um patrimônio familiar. O vice-presidente do PSDB tem todos os dados em mãos para demonstrar que estava sendo vítima de mais uma armação.

A Casa do Espanto do Lago Sul, em Brasília, onde ficava a turma do Lanzetta, tinha— ou tem — um chefe, e seu nome é Fernando Pimentel, cuja situação como “coordenador” de Dilma se torna, a cada dia, mais insustentável, ainda que, no mesmo ritmo, mais compreensível. As identidades entre ambos são mesmo impressionantes: militaram no mesmo grupo terrorista e fazem um esforço danado para simular seu apreço às regras do jogo democrático, mas, como se nota, podem atuar também no mundo das sombras. Quando o Brasil era uma ditadura, escolheram o caminho da luta armada e do terror; na democracia, escolhem o dos dossiês, mundo este em que são protagonistas os arapongas, os espiões e os bandidos.

Chega! A casa — também a do Espanto — caiu. Como se vê, a operação era bem mais ampla do que parecia. Serra poderia ser o principal, mas não era o único alvo dos enlameadores de reputações. Tratava-se de uma operação grande, em várias frentes. Supor que tudo aquilo estava em curso sob a coordenação de um simples Lanzetta corresponde a subestimar a inteligência alheia. E Pimentel, tudo indica, subestima.

Notem: a falcatrua que tentaram armar contra Serra é, sim, muito grave. Mas se trata, em boa parte, da imaginação aloprada de escribas de aluguel, pagos para caluniar, para difamar, para inventar. O caso de Eduardo Jorge é infinitamente mais grave. Os dados que foram parar no papelório petista integram o conjunto de informações sigilosas prestadas a um órgão público. Alguém se aproveitou de sua condição de servidor — provavelmente, uma das milhares de nomeações feitas no bojo do aparelhamento de estado — para violar um sigilo garantido pela Constituição.

Em seu discurso na convenção do PSDB (ver posts abaixo), Serra falou sobre esse jogo perverso de eliminação do outro. Na escolha entre o candidato tucano à Presidência e a candidata petista, há clivagens as mais distintas. Mas há uma, tudo o mais estivesse empatado, que desempata o jogo para que tem a democracia como norte: trata-se de optar entre o estado democrático e de direito e o estado policial.

O PT vinha tentando usar uma canalhice para lavar outra. O dossiê do tal Amaury era, com efeito, só a parte velha, requentada, do novo dossiê. Ou por outra: o PT juntava às mentiras e armações antigas as novas mentiras e armações. Como vocês bem se lembram, essa gente asquerosa tentou meter até este escriba em seu jogo sujo. A idéia é que não sobre nada em pé na República: tudo tem de cair de joelhos diante da divindade do Luís 14 do Mensalão.

Não há dúvida de que são tempos difíceis. Mas também são tempos muito interessantes porque nos impõem escolhas. Pode-se ficar com a democracia, com o estado de direito e com as garantias asseguradas pela Constituição. E se pode ficar com Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, Lanzetta e seus métodos.
Share/Bookmark

Dossiês e PT – tudo a ver (1)

Publicado no blog do Reinaldo Azevedo em 13/06/2010, com o título "O solo petista é propício à geração espontânea de dossiês". – Walter Dos Santos
“Não pedimos, não fizemos, não divulgamos nenhum dossiê, nenhuma investigação sobre Eduardo Jorge”.

A fala é de Cândido Vacarezza (SP), líder do PT na Câmara. Repete negativa de José Eduardo Dutra, presidente do partido, referindo-se ao dossiê contra Serra. É mesmo um troço impressionante.

No PT, há um solo propício ao que se poderia chamar, então, de “geração espontânea de dossiês”. Ninguém “pede”, ninguém “faz”, ninguém “encomenda”, ninguém “divulga”, mas o papelório aparece. Que seja sempre um petista ou alguém a serviço do partido a oferecê-lo a jornalistas, isso é só uma coincidência.

Desde os tempos de Primeira Leitura — revista que, ainda hoje, mesmo depois de morta, desperta rancor e fúria —, aponto o conluio nefasto entre PT, setores da imprensa, setores da Polícia Federal e do Ministério Púbico. Havia uma verdadeira linha de produção de “fatos” contra os inimigos do partido. Vigaristas, durante um bom tempo, solidificaram a sua reputação de “jornalistas investigativos” divulgando a invencionice da bandidagem.

O exemplo mais notável e duradouro de armação foi o tal Dossiê Cayman — não por acaso, contra figuras do governo FHC. Seus maiores divulgadores no jornalismo pararam de falar no assunto, depois que os autores da mentira foram presos, sem se descuilpar nem com os leitores. O mesmo procedimento procurou enlamear o processo de privatização.

O fato de alas saneadoras da imprensa se negarem, hoje, a ser porta-vozes de bandidos não deixa de ser um sinal positivo. Mas que se note: a linha de produção continua operando.

A política não é exatamente um lugar de santos ou um convento — a rigor, nem os conventos são… conventos! Mas que não tentem me atrair para a falácia de que “todo são iguais”. Iguais em quê? Segundo qual critério? FHC ficou oito anos do poder apanhando dos petistas, que botavam o bloco da rua — inclusive com o movimento “Fora FHC”. Alguém viu tucanos a oferecer “dossiês” a jornalistas contra Lula e seus valentes? A maior crise do governo Lula, a do mensalão, foi provocada pela base aliada.

Na oposição ou no governo, a prática dos petistas continua a mesma. A diferença é que, agora, dominam o aparelho de estado e o mobilizam contra adversários, coisa típica de estado policial. Trata-se de respeitar ou não as regras do jogo democrático. E eles não respeitam.

Share/Bookmark

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dilma quer que o dossiê contra Serra seja divulgado

Publicado originalente no blog Coturno Noturno de 8/07/2010. – Walter Dos Santos
Pode haver declaração mais petralha? Pode haver mais mau caratismo? Pode a declaração abaixo, dada por Dilma Rousseff, do PT?
"Vou reiterar. Tais documentos, se existirem, não foram elaborados pela nossa campanha. Vamos deixar isso claro. Qualquer outra ilação é uma falsidade. Era bom que aparecessem esses documentos aos quais todo mundo se refere e ninguém demonstrou a existência". 
Ela não quer perder o investimento. Quer que o dossiê seja publicado pela grande mídia. Quer que ao "documentos" que vários veículos de comunicação receberam e jogaram fora por serem falsos parem nas manchetes. A petista entende como ninguém de dossiês. Fez um contra Dona Ruth Cardoso, que chamou de banco de dados. Ela não se contenta com a publicação da podridão contra Serra nos blogs do esgoto que o governo financia. Ela quer Jornal Nacional. Quanta escrotidão!

Share/Bookmark

domingo, 6 de junho de 2010

Soninha: Por que desprezo o PT e apoio Serra

Soninha Francine, ex-petista e ex-vereadora de São Paulo, é candidata a governadora do Estado pelo PPS. No depoimento abaixo, ela apresenta as razões de sua saída do Partido dos Trabalhadores, os bastidores sujos do jeito PT de governar e por que apoia José Serra para presidente. Publicado originalmente por Nilson Martins, com o título "Soninha Francine abre o jogo", no blog Sem Retoques em 4/06/2010. – Walter Dos Santos
Leandro Dalle questionou a Soninha Francine sobre seu apoio ao Serra. Enviamos a mensagem e ela nos enviou a seguinte resposta:
Leandro, posso explicar, sim. Talvez não em poucas palavras, mas em muitas informações sobre o que vi, vivi e aprendi nos últimos anos. Pra não deixar sem nenhuma resposta agora, posso resumir assim:

- Descobri que o meio em que eu vivia - de petistas - inventava muitas barbaridades sobre o Serra. Por que o Serra? Não sei, talvez porque ele tenha sido o candidato do governo à sucessão do Fernando Henrique, portanto rival direto do Lula na disputa presidencial... Porque os petistas já pintavam os tucanos como o fel da terra (e eu, mesmo quando era do PT, achava isso um pouco absurdo), e o Serra como o próprio Satanás. Só que os fatos, mesmo vistos de longe, já desmentiam algumas coisas que diziam sobre ele: como ele podia ser "queridinho" da grande mídia quando comprava briga contra a publicidade de cigarro, por exemplo - que era uma baita fonte de receita para os meios de comunicação? E como ele era parte da elite imperialista internacional, quando foi à OMC e lutou contra os lobbys e cartéis da indústria farmacêutica, conseguindo as quebras de patente em nome da saúde pública dos países mais pobres?

Mesmo com esses fatos, eu acreditava nas versões do PT... Afinal, o PT era o meu partido, eu tendia a concordar com tudo... Pensava: "Ok, eles fez uma ou duas coisas importantes, corajosas, mas nem por isso é uma pessoa decente". O PT dizia que ele era covarde, porque tinha "fugido" da ditadura... Que era um manipulador ardiloso, porque "armou" um flagrante pra Roseana Sarney (se bem que eu já pensava naquela época: o marido da Roseana Sarney tem um milhão e meio de reais de origem desconhecida e a culpa é do Serra?).

Enfim, eu o detestava. Até ser

Share/Bookmark

sábado, 17 de abril de 2010

No, they can't! Ou: o Brasil teria podido mais?

Serra se lançou candidato, e dois pontos se destacam em seu discurso: o slogan "O Brasil pode mais" e a apresentação da imagem de que ele não tem interesse em dividir o país - ao contrário, parece, do que viria fazendo o atual governo (divisões entre pobres e ricos, negros e brancos, etc.). Me pergunto se esses dois eixos não se embananam. De todo jeito, mostram a peculiar situação política do candidato tucano.

Quanto ao lema da campanha, reproduzo trecho de artigo de Rafael Dubeux, do Instituto Alvorada:

"A candidatura do PSDB à Presidência foi lançada sob o slogan 'o Brasil pode mais'. À vista disso, é conveniente indagar se o Brasil teria podido mais se tivéssemos tido presidentes tucanos entre 2003 e 2010 [grifo meu]. É verdade que toda projeção desse tipo, uma espécie de futurologia do passado, está altamente sujeita a erros. O passado, afinal, não pode ser reconstruído. Apesar disso, podemos fazer um exercício. Conto com a participação de vocês para complementar.

É preciso recordar, primeiramente, um tema da moda naqueles tempos (2002): a Alca. Estávamos caminhando para assinar o acordo para liberalizar o comércio nas Américas, mas não o fluxo de pessoas. Mais do que isso: o acordo em discussão anulava as políticas de desenvolvimento brasileiro, já que impunha regras em compras governamentais, propriedade intelectual, serviços, investimentos, etc. (...) Sob governo pessedebista, provavelmente seríamos parte da Alca hoje."

E por aí vai o exercício, que trata de política externa e outros temas. Vale a pena lê-lo e prolongá-lo.

Cito de passagem um dos temas que Rafael propõe: o combate à corrupção. Claro, o "mensalão do DEM" fez, em tempos recentes, com que a oposição adotasse o discurso de que defesa da ética na política não é plataforma de campanha. Ou seja: como não será possível usar o "mensalão do PT" contra Dilma, não pensemos pequeno, e vamos discutir projetos para o país. Ou descobrirão que o financiamento ilegal de campanha por certo não se encontra entre aquilo que "nunca antes na história desse país...". Assim, a ética não será tema de campanha das duas candidaturas hoje mais fortes, mas convém perguntar se o Brasil teria "podido mais" nesse campo caso Serra e/ou Alckmin tivesse(m) sido eleito(s).

Trabalhei um tempo no Ministério Público Federal. Pelo que soube nesse período e pude experimentar no dia a dia - e acho que poucos negariam isso - houve diferenças significativas, de FHC a Lula, em termos de tratamento das instituições encarregadas de investigar e levar ao judiciário casos de corrupção. Quanto ao Ministério Público, isso é notório. A escolha do chefe do Ministério Público da União, o procurador-geral da República, é do presidente. Os outros membros da instituição são independentes, mas ele tem atribuições específicas e de grande importância, como atuar no STF. Só o procurador-geral poderia, por exemplo, ter apresentado a denúncia do "mensalão", que envolveu deputados federais, com direito a foro privilegiado.

Pois bem. Como a lei não obriga o presidente a respeitar a eleição interna feita entre os membros do MP para eleger o procurador-geral, seguir o resultado dessa escolha é uma decisão política, que me parece reveladora do apreço pela democracia e por suas instituições. FHC não seguia os resultados dessa eleição. Seu período foi marcado pela gestão de Geraldo Brindeiro como procurador, quer dizer, "engavetador geral" da República (para quem não lembra, essa era sua alcunha, que dispensa maiores desenvolvimentos). Alguém aí se recorda de algum figurão do governo tucano levado ao banco dos réus do STF na era FHC?

Lula nomeou primeiro como procurador-geral Cláudio Fonteles, mais votado entre seus pares. Foi ele que iniciou a investigação do mensalão no MPF. Terminado seu mandato de dois anos, passou a batata quente para Antonio Fernando, também nomeado por Lula respeitando o resultado da eleição interna. Quem quiser pode ver no site da PGR:

"Por decreto de 29 junho de 2005, do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, [Antonio Fernando] foi nomeado Procurador-Geral da República, tomando posse no cargo em 30 de junho de 2005, para um mandato de dois anos. O presidente respeitou a indicação dos membros do Ministério Público: Antonio Fernando venceu a votação realizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República e encabeçou lista tríplice enviada ao Presidente. No dia 21 de junho, foi sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que aprovou seu nome por maioria absoluta. No dia 28 de junho, a indicação foi aprovada pelo plenário do Senado. Exerceu o cargo de procurador-geral da República até 28 de Junho de 2009."

Antonio Fernando foi o que de fato ofereceu a denúncia do caso, que ainda tá rolando no STF. E, como se vê pela duração do mandato, ele foi nomeado outra vez para a chefia do MPU em 2007. Ou seja, depois da reeleição de Lula, de a imprensa repetir à exaustão que o procurador qualificara de "organização criminosa" o grupo ligado ao presidente. Após isso tudo, mais uma vez, foi nomeado pelo mesmo Lula, seguindo idêntico critério: respeito à eleição entre os membros do MP. O atual procurador-geral, Roberto Gurgel (que me lembra um pouco Jô Soares) passou por idêntico processo. E, note-se, Gurgel, Antonio Fernando e Cláudio Fonteles pertencem no MPU ao mesmo grupo de pensamento, ao mesmo "partido". Nem por isso foram preteridos e nem chamados de horda por investigarem fatos em nome do interesse público.

Os recentes escândalos de Brasília mostram o que já era evidente: caixa dois de campanha, compra de "apoio" parlamentar - práticas inaceitáveis mesmo, claro - não são exclusividade do governo Lula. O caso do "mensalão" segue vivo porque as instituições funcionaram. E não é só o Ministério Público. A Polícia Federal, responsável pelas investigações que o MP leva ao judiciário, também atuou muito mais. E a Controladoria Geral da União? Sob Waldir Pires, defenestrado quando ministro da Defesa pela classe média que tanto sofria nos aeroportos, a instituição deixou de ser mais uma sigla criada para inglês ver. Me chamava a atenção, na época que trabalhei no MPF, como chegavam relatórios da CGU sobre desvios de verbas federais em municípios nordestinos. Com os dados, era possível denunciar os responsáveis, colocá-los em juízo. É bem verdade que muitas vezes o judiciário não corresponde, mas os casos ao menos ganham exposição, podem levar as pessoas a pedir explicações àqueles em quem votaram.

Enfim, quem garante que, munido de dados corretos, o Ministério Público não pudesse ter qualificado qualquer "sistema de governabilidade" já aplicado no Brasil como algo digno de "organizações criminosas"? Não é típico de organização criminosa combinar resultados de privatizações, ainda mais quando estão em jogo cifras colossais? Comprar votos para que o Congresso aprove uma emenda constitucional que permita a reeleição do governante do dia?

Quanto a mim, acho que o Brasil não teria podido mais em termos de combate à corrupção com Serra ou Alckmin.

Mas o engraçado é que esse slogan reflete também a consciência da campanha de Serra de que ele não pode se colocar como anti-Lula. A aceitação do governo é tanta que a oposição nem pode ser... oposição. Resta que não se trata de dizer que a mudança é possível, como Lula em 2002, ou Obama com seu "Yes, we can". Dizer "O Brasil pode mais" é reconhecer que ele já pôde bastante - apenas não tanto quanto possível. É uma frase típica de candidato à sucessão, não de um opositor!

Não vou entrar no mérito de qualificar essa aprovação - embora ainda queira escrever sobre ideias preconceituosas e de senso comum a respeito da aprovação de Lula no Nordeste, por exemplo. Por ora gostaria apenas de apontar como o slogan "O Brasil pode mais" contradiz a crítica a uma suposta divisão do país em grupos antagônicos.

Isso porque a frase de efeito tem um pressuposto óbvio: Serra não é oposição, não defende a mudança, e sim a continuidade, porque o governo Lula tem níveis de aprovação impressionantes. Eis os dados recentes do Datafolha:


Fonte: http://datafolha.folha.uol.com.br/

Ora, se apenas 4% dos brasileiros consideram o governo Lula ruim ou péssimo, que divisão é essa? Se Serra quiser criar algo ainda mais próximo da unanimidade, e que não seja o bom senso segundo Descartes, ele terá que convencer Chico Buarque a engajar-se em sua campanha.

No, they can't!

Share/Bookmark

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails