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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dossiês e PT – tudo a ver (4)

Publicado originalmente na Folha Online em 17/06/2010, com o título "Ex-delegado diz que sofreu ameaça de morte após revelar dossiê sobre Serra". – Walter Dos Santos
por NOELI MENEZES, de Brasília

O delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa afirmou nesta quinta-feira que recebeu ameaça de morte após revelar que havia sido procurado por supostos emissários da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) para investigar o candidato tucano à Presidência, José Serra, e produzir dossiês sobre ele.

"Recebi um e-mail dizendo que eu ia me transformar em nome de parque. Na hora, não entendi. Depois me lembrei do prefeito Celso Daniel. Era uma ameaça de morte."

O ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) foi sequestrado e assassinado em 2002. Hoje, é nome de parque na cidade que administrou.

Onézimo disse, porém, que não ficou com medo da ameaça. "Tratei como uma chacota."

O delegado aposentado reafirmou, em depoimento à CCAI (Comissão de Controle das Atividades de Inteligência) do Congresso, que foi procurado para "levantar tudo sobre" o candidato tucano.

Questionado se a investigação envolvia monitoramento telefônico, respondeu: "Eu não sou onipresente. Para um bom entendedor, um pingo é letra. Como posso saber tudo sobre um pessoa?".

Segundo ele, o convite para a reunião lhe foi feito em nome do ex-prefeito Fernando Pimentel (PT-MG). Afirmou, no entanto, que foi recebido por três supostos emissários do petista: Amaury, Luiz Lanzetta --que era encarregado da área de imprensa da pré-campanha-- e Benedito de Oliveira Neto.

O advogado de Lanzetta, Antonio dos Santos Jr., afirmou que o depoimento do delegado foi "confuso e genérico". "O sr. Onézimo será acionado legalmente pelas inverdades que está dizendo."

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que o depoimento de Onézimo confirmou as informações já publicadas pela imprensa e acrescentou mais detalhes.

Fruet disse aguardar uma resposta do sargento da Aeronáutica Idalberto Martins, conhecido como Dadá, que também foi convidado para depor na CCAI. Dadá teria participado das reuniões para discutir a elaboração de dossiês.

De acordo com o deputado, a comissão vai pedir informações sobre o sargento à Aeronáutica.
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Dossiês e PT – tudo a ver (3)

Publicado originalmente no blog Coturno Noturno em 16/06/2010 com o título "República de bandidos." – Walter Dos Santos
Um "dossiê", na linguagem política, é um conjunto de"documentos" com acusações falsas contra os adversários ou com documentos oficiais obtidos de forma criminosa, que podem sugerir ilegalidades. Dilma Rousseff(PT), a responsável pelo Dossiê contra Serra, já que o mesmo saiu da coordenação da sua campanha, diz que ele não existe. Não existem "nenhum traço" dele. Sabem por quê? Porque os documentos apreendidos ou impedidos de serem veiculados não foram mostrados ao público. Não é uma graça? Ela gostaria que José Serra (PSDB) fizesse uma entrevista coletiva para mostrar as mentiras assacadas contra a sua filha? Que as declarações de Eduardo Jorge, vice do PSDB, fossem xerocadas e distribuídas para os presentes? Que o "banco de dados" e os pênis de borracha que ela coordenou contra FHC e Dona Ruth sejam motivo de CPI? No domingo, Lula disse que o Dossiê contra Serra, que estava sendo encomendado por coordenadores e financiadores da campanha da Dilma a arapongas, é uma iniciativa do PSDB. Dilma foi mais longe na mistificação. Parece que a candidata quer, se o Dossiê está pago, que ele seja divulgado. Ou não é um Dossiê. Estamos, realmente, vivendo em uma república de bandidos.
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terça-feira, 15 de junho de 2010

O que pode decidir as eleições?

Final de semestre, copa do mundo. Falta de tempo pra escrever, e, provavelmente, de disposição pra ler sobre política. Então nada de sair dissertando sobre o quanto pode ser simbólico o lançamento da candidatura de Serra num decadente clube de classe média em Salvador, dizem que sem nenhum negro no palanque. Nem dá pra comentar as últimas da história de um dossiê supostamente feito pela campanha de Dilma contra Serra – o mais concreto dela, por enquanto, é que há um livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior sobre as privatizações da era FHC, a ser lançado depois da copa.

Pra lá disso tudo, o que talvez realmente influencie essa campanha são os fenômenos econômicos que ocorreram durante o governo Lula, como mostra matéria da Folha, que fez boa entrevista com o economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV do Rio. Eis alguns dados:

- queda da desigualdade por sete anos consecutivos, fora um, e retomada da redução em ritmo mais acelerado este ano;

- 10% de redução de pobreza de abril de 2009 a abril de 2010;

- ascensão de 31,9 milhões de brasileiros às classes ABC;

- 20 milhões de pessoas saíram da pobreza em cinco anos;

- a diminuição da pobreza não se deve só ao Bolsa Família, mas também ao aumento do emprego formal, da renda do trabalho e à valorização do salário mínimo (de 1,4 a 2,2 cestas básicas):

“Para Lena Lavinas, especialista no assunto no Instituto de Economia da UFRJ, a pobreza no Brasil cai especialmente por conta da criação de vagas formais no mercado de trabalho.
‘Cerca de 90% dos novos empregos formais nos últimos anos pagam até três salários mínimos (R$ 1.530,00). Isso favorece diretamente os mais vulneráveis’, diz Lena.
Além de criar quase 13 milhões de empregos formais (de 28,7 milhões para 41,5 milhões), o governo Lula patrocinou um aumento real (acima da inflação) de 53,6% para o valor do salário mínimo.”

“Ademir Figueiredo, coordenador do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), afirma que a recuperação do salário mínimo ‘foi o grande ‘programa social’ de Lula’. "Pois ele tem impacto direto sobre o crescimento da renda familiar."

A história do dossiê é vaguíssima, e deve atingir muito mais a candidatura de Serra no segundo semestre. A política externa, ao contrário do que se pensa, tem apoio da opinião pública. Não parece haver condição política de derrubar a candidatura Dilma nos tribunais, seja pela aprovação de Lula, seja pela falta de base social da oposição (no discurso de Serra, isso virou “não tenho esquadrão de militantes pagos com dinheiro público”, ou algo assim), seja porque nesse campo os demo-tucanos tampouco têm ficha limpa.

Muito mais que isso, o bom momento econômico tende a ter um papel importante (veja no NPTO), e essa transformação social é atribuída principalmente ao governo Lula - em minha opinião, de forma justa. Não é lábia nem simbolismo, foram feitos reais, sentidos pela maioria.

Enfim, é a realidade social, estúpido.


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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dossiês e PT – tudo a ver (2)

Publicado no blog do Reinaldo Azevedo em 13/06/2010, com o título "Quando uma canalhice busca lavar a outra". – Walter Dos Santos
A Folha noticiou na edição deste sábado que os novos aloprados, a serviço da candidatura de Dilma Rousseff, armaram também um dossiê contra Eduardo Jorge Cardas Pereira, vice-presidente do PSDB, numa evidência de que “os caras” não queriam apenas liquidar com o candidato da oposição. O objetivo era acabar com a oposição inteira.

O caso de Eduardo Jorge é especialmente perverso porque, ao tempo em que era secretário-geral da Presidência (governo FHC), quase foi esmagado pela calúnia petista e de setores aloprados do Ministério Público — com o endosso, infelizmente, de boa parte da imprensa. Processou seus caluniadores ou representou contra eles nos órgãos competentes e venceu todos os embates.

Quase 10 anos depois, reportagem da Folha demonstra que os petistas estão no poder, mas seus métodos continuam os mesmos. O mais importante agora: A PROVA DA VIOLAÇÃO DESMONTA UMA OUTRA FARSA PETISTA. DIREI POR QUÊ.

O sigilo fiscal de Eduardo Jorge foi quebrado ilegalmente. O dossiê que fizeram contra ele só seria possível com o vazamento de suas declarações à Receita Federal. Ou por outra: seu sigilo fiscal foi violado sem autorização judicial. Quem o fez violou também a CONSTITUIÇÃO. É um crime gravíssimo. Já volto a este ponto. Retomo a questão que deixei ali no pé do parágrafo anterior.

Pegos com a boca da botija, fazendo um novo dossiê, os petistas tentaram arranjar uma saída: o papelório contra Serra e sua família nada mais seria do que o conteúdo de um suposto livro do ex-jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Não se trataria, portanto, de coisa nova, articulada pela Casa do Espanto de Brasília — aquela em que circulam os Lanzetta’s Boys, cujo aluguel é pago em dinheiro vivo. Ditas as coisas de outra maneira: os petistas tentaram usar o aliado Amaury para lavar a nova sacanagem. Essa versão também foi para o brejo.

O dossiê contra Eduardo Jorge contém dados relativos a 2009. Trata-se, portanto, de coisa fresca. Isso evidencia que os petistas mentem — alguém está surpreso? ELES ESTAVAM, SIM, PRODUZINDO NOVAS PEÇAS DE DENÚNCIA CONTRA OS ADVERSÁRIOS. Eduardo Jorge não é candidato a nada; não disputa eleições. É um quadro do PSDB. O jogo para aniquilar adversários incluía Serra, candidato da oposição, mas também o vice-presidente do partido. É o jogo da aniquilação do outro.

Eduardo Jorge é uma parada dura para os petistas porque é um obsessivo com a documentação. Da outra vez, provou a montanha de mentiras contra ele porque sempre muito bem-calçado com os fatos e suas provas. Desta vez, não é diferente. A movimentação dita “suspeita” em suas contas tem a ver com o inventário de um patrimônio familiar. O vice-presidente do PSDB tem todos os dados em mãos para demonstrar que estava sendo vítima de mais uma armação.

A Casa do Espanto do Lago Sul, em Brasília, onde ficava a turma do Lanzetta, tinha— ou tem — um chefe, e seu nome é Fernando Pimentel, cuja situação como “coordenador” de Dilma se torna, a cada dia, mais insustentável, ainda que, no mesmo ritmo, mais compreensível. As identidades entre ambos são mesmo impressionantes: militaram no mesmo grupo terrorista e fazem um esforço danado para simular seu apreço às regras do jogo democrático, mas, como se nota, podem atuar também no mundo das sombras. Quando o Brasil era uma ditadura, escolheram o caminho da luta armada e do terror; na democracia, escolhem o dos dossiês, mundo este em que são protagonistas os arapongas, os espiões e os bandidos.

Chega! A casa — também a do Espanto — caiu. Como se vê, a operação era bem mais ampla do que parecia. Serra poderia ser o principal, mas não era o único alvo dos enlameadores de reputações. Tratava-se de uma operação grande, em várias frentes. Supor que tudo aquilo estava em curso sob a coordenação de um simples Lanzetta corresponde a subestimar a inteligência alheia. E Pimentel, tudo indica, subestima.

Notem: a falcatrua que tentaram armar contra Serra é, sim, muito grave. Mas se trata, em boa parte, da imaginação aloprada de escribas de aluguel, pagos para caluniar, para difamar, para inventar. O caso de Eduardo Jorge é infinitamente mais grave. Os dados que foram parar no papelório petista integram o conjunto de informações sigilosas prestadas a um órgão público. Alguém se aproveitou de sua condição de servidor — provavelmente, uma das milhares de nomeações feitas no bojo do aparelhamento de estado — para violar um sigilo garantido pela Constituição.

Em seu discurso na convenção do PSDB (ver posts abaixo), Serra falou sobre esse jogo perverso de eliminação do outro. Na escolha entre o candidato tucano à Presidência e a candidata petista, há clivagens as mais distintas. Mas há uma, tudo o mais estivesse empatado, que desempata o jogo para que tem a democracia como norte: trata-se de optar entre o estado democrático e de direito e o estado policial.

O PT vinha tentando usar uma canalhice para lavar outra. O dossiê do tal Amaury era, com efeito, só a parte velha, requentada, do novo dossiê. Ou por outra: o PT juntava às mentiras e armações antigas as novas mentiras e armações. Como vocês bem se lembram, essa gente asquerosa tentou meter até este escriba em seu jogo sujo. A idéia é que não sobre nada em pé na República: tudo tem de cair de joelhos diante da divindade do Luís 14 do Mensalão.

Não há dúvida de que são tempos difíceis. Mas também são tempos muito interessantes porque nos impõem escolhas. Pode-se ficar com a democracia, com o estado de direito e com as garantias asseguradas pela Constituição. E se pode ficar com Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, Lanzetta e seus métodos.
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Dossiês e PT – tudo a ver (1)

Publicado no blog do Reinaldo Azevedo em 13/06/2010, com o título "O solo petista é propício à geração espontânea de dossiês". – Walter Dos Santos
“Não pedimos, não fizemos, não divulgamos nenhum dossiê, nenhuma investigação sobre Eduardo Jorge”.

A fala é de Cândido Vacarezza (SP), líder do PT na Câmara. Repete negativa de José Eduardo Dutra, presidente do partido, referindo-se ao dossiê contra Serra. É mesmo um troço impressionante.

No PT, há um solo propício ao que se poderia chamar, então, de “geração espontânea de dossiês”. Ninguém “pede”, ninguém “faz”, ninguém “encomenda”, ninguém “divulga”, mas o papelório aparece. Que seja sempre um petista ou alguém a serviço do partido a oferecê-lo a jornalistas, isso é só uma coincidência.

Desde os tempos de Primeira Leitura — revista que, ainda hoje, mesmo depois de morta, desperta rancor e fúria —, aponto o conluio nefasto entre PT, setores da imprensa, setores da Polícia Federal e do Ministério Púbico. Havia uma verdadeira linha de produção de “fatos” contra os inimigos do partido. Vigaristas, durante um bom tempo, solidificaram a sua reputação de “jornalistas investigativos” divulgando a invencionice da bandidagem.

O exemplo mais notável e duradouro de armação foi o tal Dossiê Cayman — não por acaso, contra figuras do governo FHC. Seus maiores divulgadores no jornalismo pararam de falar no assunto, depois que os autores da mentira foram presos, sem se descuilpar nem com os leitores. O mesmo procedimento procurou enlamear o processo de privatização.

O fato de alas saneadoras da imprensa se negarem, hoje, a ser porta-vozes de bandidos não deixa de ser um sinal positivo. Mas que se note: a linha de produção continua operando.

A política não é exatamente um lugar de santos ou um convento — a rigor, nem os conventos são… conventos! Mas que não tentem me atrair para a falácia de que “todo são iguais”. Iguais em quê? Segundo qual critério? FHC ficou oito anos do poder apanhando dos petistas, que botavam o bloco da rua — inclusive com o movimento “Fora FHC”. Alguém viu tucanos a oferecer “dossiês” a jornalistas contra Lula e seus valentes? A maior crise do governo Lula, a do mensalão, foi provocada pela base aliada.

Na oposição ou no governo, a prática dos petistas continua a mesma. A diferença é que, agora, dominam o aparelho de estado e o mobilizam contra adversários, coisa típica de estado policial. Trata-se de respeitar ou não as regras do jogo democrático. E eles não respeitam.

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Um repórter escroto

Pequeno currículo de Amaury Ribeiro Júnior, repórter investigativo responsável pelo livro que vem sendo transformado em “dossiê'” encomendado pela campanha de Dilma Roussef, só pra deixar claro como faz sentido questionar a sua credibilidade:

“Dono de três prêmios Esso e vencedor de quatro prêmios Vladimir Herzog, entre muitos outros, Amaury Ribeiro Jr., 47 anos, é daqueles repórteres de imersão total na matéria, nem que para tanto tenha de correr riscos. Foi assim quando, investigando o assassinato de jovens pelo tráfico, foi baleado nos arredores de Brasília. Trabalhou, entre outros jornais e revistas, para O Globo, Isto É e Correio Brasiliense. Autor de reportagens sobre a guerrilha do Araguaia, a prostituição infantil e os entraves à educação do país, Ribeiro Jr. dedica-se, nos últimos dois anos, a esmiuçar os meandros do conturbado processo de venda das estatais brasileiras na bacia das almas nos anos 1990. E à investigação da lavagem internacional do dinheiro da corrupção. Integrante do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) agora ele vasculha o que chama de ‘aloprações tucanas’.”

Fonte: Luis Nassif Online

Enquanto no Nordeste sempre ouvi que algo fudido era ruim (como em “E quem era inocente agora já virou bandido / Pra comer um pedaço de pão todo fudido”, de Chico Science), em São Paulo uma coisa fudida pode ser boa, como em “carro fudido, mano”. Algo análogo acontece com escroto. Prevalece o sentido pejorativo (Como em Bichos Escrotos, do Titãs), único que eu conhecia - uma injustiça grande com a porção da anatomia masculina responsável por metade de nosso DNA. Mas  um tênis escroto, aqui, é aquele dos mais caros, cheios de molas e cadarços coloridos. Enfim, escroto é também algo irado, fudido, nervoso.

Nesse sentido vale dizer: esse Amaury Ribeiro Júnior é mesmo um repórter escroto!


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terça-feira, 8 de junho de 2010

Dilma quer que o dossiê contra Serra seja divulgado

Publicado originalente no blog Coturno Noturno de 8/07/2010. – Walter Dos Santos
Pode haver declaração mais petralha? Pode haver mais mau caratismo? Pode a declaração abaixo, dada por Dilma Rousseff, do PT?
"Vou reiterar. Tais documentos, se existirem, não foram elaborados pela nossa campanha. Vamos deixar isso claro. Qualquer outra ilação é uma falsidade. Era bom que aparecessem esses documentos aos quais todo mundo se refere e ninguém demonstrou a existência". 
Ela não quer perder o investimento. Quer que o dossiê seja publicado pela grande mídia. Quer que ao "documentos" que vários veículos de comunicação receberam e jogaram fora por serem falsos parem nas manchetes. A petista entende como ninguém de dossiês. Fez um contra Dona Ruth Cardoso, que chamou de banco de dados. Ela não se contenta com a publicação da podridão contra Serra nos blogs do esgoto que o governo financia. Ela quer Jornal Nacional. Quanta escrotidão!

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

“Dossiê”: entrevista e vontade de esclarecimento

A Folha divulgou hoje entrevista com o jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Eis trecho:

“Por que ocorreu a reunião?
Não era só vazamento, começaram a roubar coisas lá dentro. Sabotagem. [...] O Onézimo chegou nessa reunião dizendo que ele tinha condições de destruir isso porque ele havia trabalhado antigamente, e que tinha brigado com o pessoal, da inteligência do Itagiba. [...] Quando o Serra assumiu o Ministério da Saúde, ele montou --com o pretexto de investigar laboratórios-- uma central de espionagem, que era formado por quem? É só você ver quem estava cadastrado. Era um agente do SNI, o "agente Jardim", que até pouco tempo estava no gabinete [de Itagiba na Câmara], um ex-delegado... Isso quem falou foi o próprio Onézimo.

Ele chegou nessa reunião [e disse]: "Pô, vocês estão atrasados, porque essa equipe está trabalhando há dois anos". "Fazendo o quê?" "Ah, eles estão levantando dossiê contra o pessoal, esse povo do Itagiba está levantando 300 dossiês contra pessoas do PMDB, e quem do PMDB não votasse com o PSDB, estão fazendo chantagem, estão chantageando". [...] E disse o seguinte: que tinha sido convidado, inclusive, para integrar esse grupo. "Então pra gente descobrir quem está com vocês, aí, é muito fácil, porque eu já trabalhei lá". Ele contou também que trabalhou --o que facilitaria [seu trabalho]-- que já tinha trabalhado no grupo de inteligência da campanha de Fernando Henrique em 1994.

Ele disse que esse grupo do Itagiba, depois de vasculhar a vida do Aécio Neves e da Dilma e não ter encontrado nada contra, eles estavam desesperados. E disse que tem uns 500 dossiês contra o pessoal do PMDB. Essa é a verdade.”

Nassif sugeriu recentemente que está havendo uma tentativa do jornal de recuperar a credibilidade jornalística. Tomara. Deve fazer parte desse movimento o juízo de que ignorar o que está acontecendo na internet é insustentável.

Já no Estadão, Dora Kramer, hoje, parece ignorar inteiramente as informações que circulam na rede sobre o livro do repórter. E afirma:

“Se o PT tem informação relevante de interesse público a respeito, diga do que se trata.”

Mas, se o partido processa Serra pela acusação infundada quanto a Dilma ser responsável pelo dossiê, aí:

“Essa ação na Justiça é um gesto vazio e não ajuda a esclarecer coisa alguma.”

Ah, certo, a acusação do candidato tucano não foi “gesto vazio”, e ajudou a esclarecer muita coisa.


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domingo, 6 de junho de 2010

A cobertura da Folha sobre o “dossiê”

Sábado de manhã, me deparo com reportagem da Carta Capital intitulada “O dossiê do dossiê do dossiê…”. Pô, eu vinha preparando um post pro blogue chamado “Dossiê do dossiê”. Perdi o título, nada original mesmo, mas insisto, até porque minha abordagem vai ser um pouco diferente.

Na quinta, 3 de junho, Luiz Nassif publicou texto que esclareceu bastante os bastidores desse suposto dossiê contra Serra supostamente organizado pela campanha adversária supostamente por ordens da própria Dilma. Bem verossimilhante, o artigo diz mais ou menos o seguinte: a acusação parece ter sido uma maneira de o tucano defender-se preventivamente da divulgação de um livro que está sendo escrito pelo repórter Amaury Ribeiro Jr. sobre as privatizações da era FHC (quando mais?). E o pior é como a coisa teria surgido:

“Quando começou a disputa dentro do PSDB, pela indicação do candidato às eleições presidenciais, correram rumores de que Serra havia preparado um dossiê sobre a vida pessoal de seu adversário (no partido) Aécio Neves.

A banda mineira do PSDB resolveu se precaver. E recorreu ao Estado de Minas para que juntasse munição dissuasória contra Serra. O jornal incumbiu, então, seu jornalista Amaury Ribeiro Jr de levantar dados sobre Serra. Durante quase um ano Amaury se dedicou ao trabalho, inclusive com viagens à Europa, atrás de pistas.(…)

Nesse ínterim, cessou a guerra interna no PSDB e Amaury saiu do Estado de Minas e ficou com um vasto material na mão. Passou a trabalhar, então, em um livro, que já tem 14 capítulos, segundo informações que passou a amigos em Brasília.”

Na mesma quinta-feira, o jornalismo da Folha se ateve ao declaracionismo (a nova versão do criacionismo pelo verbo), e isso rendeu a manchete principal: Serra acusa Dilma de fazer dossiê; petista nega. Nesse dia seguiram-se vários quebra-paus, e o PT acabou decidindo processar Serra pela acusação. Gostei da troca de afagos entre o jornalista Ricardo Noblat e o presidente do PT, José Eduardo Dutra no Twitter:

“@BlogdoNoblat - Na versão que começou a circular, tem 110 páginas o dossiê contra Serra elaborado pelos novos aloprados do PT. 2:53 AM Jun 3

@ZéDutra 13 - Você sabe quem elaborou o tal dossie? Então diga. Ficar falando em "novos aloprados do PT" é desonestidade intelectual 9:41 AM Jun 3

@BlogdoNoblat - Eu sei, e o senhor sabe. E não me venha falar em desonestidade intelectual. Há companheiros do senhor que entendem disso melhor.

@ZéDutra 13 - Vc é um jornalista bem informado e deve saber a verdadeira origem desse suposto dossiê. Nâo queira jogá-lo no nosso colo.”

Na sexta, a Folha apenas publicou a notícia sobre a representação do PT e divulgou alguns dados sobre o dossiê, ainda relacionando-o à campanha de Dilma. O jornal ignorou inteiramente o texto de Nassif, que comentou a omissão.

Apenas ontem, sábado,  as edições impressa e online mencionam o repórter Amaury Ribeiro Jr, em matéria com a seguinte manchete: “Jornalista e delegado são pivôs de intriga do dossiê”. Em vez de ligar o início de suas investigações ao PSDB mineiro, a Folha prefere apontar para o Estado de Minas, “próximo politicamente de Aécio”.

Seguem-se minhas questões.

1) Por que a Folha ignorou inteiramente o texto de Luiz Nassif, autor do furo?

Como se sabe, Nassif foi colunista do jornal e, se não me engano, membro do conselhor editorial. Saiu durante o governo Lula, meio que num clima de que teria perdido sua “imparcialidade”. Gostaria de ver o trecho do manual da Folha que diz ser proibido atribuir afirmações a ex-empregados.

Talvez então se tratasse de rigor editorial, da necessidade de primeiro apurar os fatos. Ora, aposto com qualquer um que a Folha de amanhã terá trocentas declarações que por si só viram notícias, de fontes muito mais suspeitas que Nassif.

Para justificar a repercussão de uma afirmação como a de Serra, de que Dilma era a principal responsável pelo tal dossiê, certamente se evocaria um dos pilares éticos da empresa: o direito do leitor à informação. Pouco importa se era apenas jogo de cena do candidato, a Folha seria como aquele seu amigo que nunca te esconderia nada, ou aquela tia que causa frisson em reuniões familiares por sua falta de papas na língua. Ao leitor cabe julgar o mérito da informação. O mesmo vale para invasão de privacidade, violação de sigilos bancário e telefônico, reprodução de buchichos dos corredores da política, etc. É claro, tudo isso é válido em caso de predomínio do interesse público, mas a questão é: quem julga o que deve ser informado e o que deve ser calado, e com que critérios?

Bem ou mal a Folha acabou dando algumas informações sobre o livro do jornalista, que, a partir de uma matéria da respeitabilíssima Veja, virou o “dossiê” da tal intriga. A essa altura, era inevitável. Mas não nos enganemos: o direito do leitor à informação é o direito da empresa jornalística de controlar a informação. Com a internet, podem ter se ampliado as fontes, mas muito pouca gente lê blogues de política, seja por desinformação, seja por falta de acesso, seja porque, convenhamos, há coisas muito mais interessantes e bem escritas pra se ler nesta vida.

2) Por que a manchete de ontem enfatiza o papel do jornalista e do delegado?

A pergunta me parece importante porque há ao menos duas outras questões de pelo menos igual valor jornalístico: se é verdade que Aécio e seu grupo político mandaram fazer um dossiê preventivo contra Serra; e – essa sem dúvida é mais importante - o que o livro de Amaury Ribeiro Jr. traz de novo sobre as privatizações (ele não teria escrito tanto apenas pra recontar a história).

Existe ainda a questão do envolvimento do delegado Onézimo de Souza com o episódio da Lunus, que tirou Roseana Sarney do páreo e deixou campo aberto pra candidatura de Serra na campanha de 2002.

A ideia, suspeito, é levar um pouco mais adiante a história de que há novos “aloprados”, ou “neoaloprados”, como já se disse por aí (um rótulo assim, percebam, é extremamente eficaz). Baixada a poeira, tanto faz o que de fato aconteceu ou deixou de acontecer. Até outubro, veremos pulularem remissões a esses “fatos” de que a campanha de Dilma retoma as piores práticas do partido, o que aliás apenas revelaria sua faceta autoritária e o desrespeito geral desses stalinistas pelos princípios democráticos, como a legalidade e a liberdade de imprensa.

Bismarck é, se bem me lembro, o autor da célebre máxima segundo a qual as leis são como as salsichas: é melhor não saber como se fazem. O mesmo, alguém já disse, aplica-se às notícias. Outra afirmação notória sobre a legislação - “Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei” – também poderia ser dita do jornalismo: seu exercício deve ser mais cuidadoso quando se trata de fuçar a vida dos adversários.


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