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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ainda a união civil

Recentemente, como era esperado, todos os principais candidatos a presidente se declararam a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo. A diferença de Marina é que, por sua religião, ela condena o casamento entre homossexuais, enquanto os outros dois tendem a deixar para cada religião decidir sobre o tema. O meu post sobre esse assunto recebeu uma resposta indireta de Walter, então gostaria de explicitar melhor minha posição.
 
É claro que o Estado não deve se imiscuir em crenças religiosas, a não ser que atentem contra direitos humanos. Como só entra na religião quem quer, as igrejas têm direito de dizer que uniões considera válido sacramentar.
 
Mas a questão não é, obviamente, essa. Se um candidato, por conta de crenças religiosas, considera mais digno de sacramento certo tipo de união, aquela entre homens e mulheres, ele está, sim, lançando uma condenação moral àqueles casais que fogem à regra. O sexo entre homem e mulher, para constituir família, é aceito, sob a bênção do sacerdote. Não importa se você é um cafajeste, corrupto, mentiroso, a heterossexualidade te dá o direito de ter sua união reconhecida. Você é acolhido na comunidade. As portas do céu estão lá, abertas. Agora, seja você, não digo um santo, mas um sujeito legal, sincero, solidário, ou sei lá, uma pessoa mais ou menos boa, e homossexual, então dane-se – literalmente, dane-se. A comunidade não te aceitará dessa forma. Se disfarce. Minta pra pertencer. Mude. Seu encontro com o capeta está, do contrário, praticamente garantido.
 
Quando eu fiz referência ao “a César o que é de César” (pensei que não fosse necessário explicitar) quis dizer que, no caso de Marina, a união civil entre pessoas do mesmo sexo era aceita como coisa do mundo terreno, com suas regras e características próprias, do carnal, da corrupção, da perdição, do desespero. É justo reconhecer como é justo pagar o imposto de renda, ainda que a ordem das coisas no mundo esteja infinitamente distante do reino dos céus. Enquanto o casamento é da ordem do divino, da lei superior, do espírito, do caminho da vida, da salvação, da esperança…
 
Como se sentem pessoas que apenas querem ficar com quem gostam, ou mesmo se comportar sexualmente da forma que desejarem, diante dessas legiões de sacerdotes tachando de pecaminoso um modo de vida que lhes parece mais natural, ou desejável, e que não prejudica a ninguém? Não é só algo incômodo, como essas orquestras de vuvuzelas, é uma tortura lenta, cruel. Eu que não vou considerar isso aceitável, já tenho outras culpas.
 
Marina é uma pessoa com uma grande trajetória, e está anos luz à frente do nível de nossos agentes políticos. Eu acho válido, contudo, que qualquer cidadão que ache as crenças de um político, inclusive as religiosas, de alguma forma discriminatórias, possa dizê-lo e levar isso em conta nas suas escolhas.
 
De qualquer forma, aquele post era mais para fazer ressalvas à ideia de que, admitindo a diferença com os movimentos pela liberdade sexual, Marina entrava num patamar superior de moralidade em relação aos demais candidatos, que prefeririam esconder-se sob disfarces.
 
E abaixo a caixa-alta!

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domingo, 6 de junho de 2010

Papo de Homem: Postura exemplar de Marina Silva

Publicado originalmente no site Papo de Homem, por Gustavo Gitti em 3/06/2010. Sobre a diferença LEGAL entre casamento e união civil num ESTADO LAICO, recomendamos a leitura de artigo da Wikipedia que trata da questão em Portugal e no Brasil. – Walter Dos Santos
Ontem eu li o seguinte comentário no Twitter do Gustavo Mini (@conector):


Discordo de algumas posições da @silva_marina mas estou admirando a franqueza dela especialmente quanto à religiosidade.
No vídeo abaixo, Marina Silva assume uma postura rara entre os políticos: ela não tenta agradar, deixa clara sua visão, mas sustenta a riqueza da diversidade. Algo assim: “Eu penso diferente de você e deixo isso claro, justamente porque não tem problema algum existir essa diferença”. Autenticidade é isso. Democracia é isso.

Marina Silva defende a união civil entre pessoas do mesmo sexo

O que normalmente fazem os políticos? Dizem “Eu defendo X” para o grupo que defende X e “Eu defendo Y” para o grupo que defende Y. Ou seja, não explicitam suas posições, não oferecem parâmetros claros para nosso voto e perdem a chance de mostrar como usar uma política da diversidade (não suas visões pessoais) como base para ações e decisões.

O tema, tão enfatizado pela mídia, é o de menos: a diferença que ela vê entre casamento gay (como ritual religioso) e união de bens (no âmbito da justiça).


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sábado, 5 de junho de 2010

Marina Silva a favor da “união civil de bens”

Marina Silva, em seu Twitter:
“Que fique claro: defendo a união civil de bens entre homossexuais”.
E explica na entrevista ao Terra TV reproduzida em seu site:
“É um direito (a união civil de bens) que as pessoas têm. Se as pessoas têm um patrimônio junto, por que não podem usufruir desse patrimônio? Se têm uma união estável, por que não podem ser beneficiários do mesmo plano de saúde?”, indagou Marina para na sequência declarar seu apoio à reivindicação do movimento LGBT.
(…)Marina esclareceu que faz distinção entre união civil e casamento. ‘Entendo casamento como um sacramento’, afirmou. Para ela, um relacionamento homossexual não pode ser enquadrado nessa categoria. A presidenciável afirmou que esse posicionamento se deve a sua profissão de fé. Marina é cristã evangélica.
‘Prefiro que o movimento gay olhe para mim e diga que a Marina nesse aspecto (conceito de casamento) não pensa igual a mim’, declarou para justificar a transparência que considera essencial na abordagem do tema.
Ressaltou que um Estado laico deve assegurar os direitos de todos e para todos. Criticou aqueles que, em período eleitoral, mudam de opinião sobre questões como crença religiosa e aborto de acordo com as pressões de parcelas do eleitorado.”
Nem precisa dizer nada sobre essa distinção entre união de bens e “sacramento”. Dê a César o que é de César, menos o direito de César amar a César, transar com César, casar com César. Será que Caetano ainda vota nela?
Mas o objetivo deste post não é espinafrar a candidatura da evangélica Marina Silva. Seria até injusto reduzi-la a isso. Aliás, ainda bem que Marina não foi ejetada como Ciro Gomes.
Queria só dizer que é admirável a sinceridade quanto a esse posicionamento, embora o fosse mais ainda se não houvesse dois aspectos: 1) com pouca chance de ganhar, fica mais fácil falar a verdade; e 2) não apoiar relacionamentos homossexuais é de longe menos impopular, a não ser infelizmente entre poucos, do que dizer-se a favor do aborto ou admitir-se ateu.
Enquanto isso, Obama, que tanto tem decepcionado na política externa, faz diferença em seu Twitter:

“As we recognize the immeasurable contributions of LGBT Americans during Pride Month, we renew our commitment to equal rights for all.”

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